Maha Samadhi

Do livro Ramana – Arunachala de Arthur Osborne

Naquela noite desoladora e triste, quando uma estrela refulgente movia-se lentamente cruzando os céus - no momento exato em que Ele deixava o corpo físico - todos os seus devotos sentiram, não as garras do desespero e da dor que tinham previsto, mas cada um assegurava ao outro que Ele ainda estava ali. Todos sentiam no coração sua contínua Presença. Os que haviam pensado na necessidade de consolação estavam aptos, na verdade, para consolar outros.

Durante toda a noite, o corpo que Bhagavan tinha esgotado e abandonado, esteve exposto no hall. Havia tristeza e lágrimas, mas, interiormente experimentava-se uma estranha paz que somente Ramana poderia conceder. Uma vasta multidão vinha e passava através do saguão para o último Darshan (benção através do olhar) ante a Sua face já agora sem vida. Da cidade, iam e vinham devotos cantando “Arunachala-Shiva”.

Nos dias subsequentes, a forte convicção de Sua Presença desceu sobre os devotos e foi o elo que os uniu. Foi organizada, então, uma comissão para dirigir os negócios do Arhram. Tudo deveria continuar como antes.

A meditação silenciosa e, pela manhã e ao anoitecer, a entoação dos hinos Védicos, continuam após o Samadhi do Mestre, tal como eram em sua presença corpórea. Em Arunachala nada se modificou em termos de rotina.

O apoio espiritual recebido por aqueles que buscam sentar-se aos “pés” de Maharshi é tão forte como outrora. Sua divina manifestação continua tão doce e sutil como o era em sua vida entre os homens. Os que se voltam para Bhagavan em seus corações, obtêm uma resposta mais imediata, um apoio poderoso.

A revitalização espiritual que se conseguia em uma visita a Tiruvanamalai, ainda continua, embora sua bem-Amada face esteja oculta aos olhos do corpo físico.

O Arsham foi, e segue sendo, o centro de força cujo poder aumenta, em lugar de diminuir.

Em nossos corações se mantém o convívio com o Guru. A morte corporal trouxe-nos certamente, uma modificação: Ele sempre nos disse: “Perguntai Quem sou eu?”, mas nos disse também: “Submetei-vos a Mim, e abaterei vossas mentes”. Agora a pergunta sobre o Ser e a submissão a Bhagavan se fazem no coração, tornando-se uma coisa só. A fusão de Jnana (Conhecimento) e do Bhakti (Devoção) tornou-se ainda mais perfeita.