O Chamado de Arunachala

Do Livro Ramana Amor Supremo de Vera Carolina Ramalho de Mello

Havia chegado o momento do pássaro, até então cativo, voar em direção ao Pai. Se antes já havia pouco interesse nos estudos, após a experiência da morte este pouco desapareceu. Amiudaram-se as visitas ao Templo, onde permanecia sozinho, diante das imagens sagradas, sentindo uma emoção que jamais experimentara antes, rogando a Iswara (Deus Pessoal) que lhe transmitisse Sua Graça e aumentasse sua devoção.

Outras vezes, sequer orava! Deixava que a profundidade em si mesmo se unisse à Profundidade Universal. As lágrimas demonstravam apenas o transbordar da alma e não qualquer sentimento de prazer ou dor.

Percebeu, então, que nada mais havia a fazer na casa de seu tio. Seu destino era outro. O pensamento voltado para Arunachala, que tanto o impressionara anteriormente, tomou posse de sua alma – era o próprio chamado de Seu Pai!

Após dezessete anos de uma vida aparentemente normal, a Graça da Vida despertara Nele. De nada consciente, entretanto sempre Consciência, o veículo divino foi impelido para Arunachala, o farol eterno. Lá, totalmente envolvido pela Luz, Ele permaneceu.

Não podia falar, abrir os olhos ou se mover. Não que Ele não quisesse. Sentia-se sob o controle de um algo interno que era uma experiência de interminável consciência e oniabrangente Bem-Aventurança. Era o estado de perfeito silêncio, de perfeita paz. A realidade na qual despertara e na qual não havia ‘ele’ para agir.

Nada lhe faltava, pois, em verdade, de quase nada necessitava. Tinha a certeza de que Seu Pai velava por Ele desde o momento em que, ao chegar a Tiruvannamalai, despojara-se de todos os seus pertences e dissera:

“Pai, obediente ao Seu chamado, aqui estou, tendo abandonado tudo”.