O Chamado de Arunachala e a Autorrealização

Havia chegado o momento do pássaro, até então cativo, voar em direção ao Pai. Se antes já havia pouco interesse nos estudos, mesmo este pouco desapareceu; amiudaram-se as visitas ao Templo, onde permanecia, sozinho, diante das imagens sagradas, sentindo uma emoção que jamais experimentara antes, rogando a Iswara que lhe transmitisse Sua Graça e aumentasse sua devoção.

Outras vezes, sequer orava – deixava que a profundidade em si mesmo se unisse à Profundidade Universal. As lágrimas demonstravam apenas o transbordar da alma e não qualquer sentimento de prazer ou dor.

Percebeu, então, que nada mais havia a fazer na casa de seu tio. Seu destino era outro – e o pensamento de Arunachala, que tanto o impressionara anteriormente, tomou posse de sua alma – era o próprio chamado de Seu Pai!

Após dezessete anos de uma vida aparentemente normal, a Graça da Vida despertara Nele. De nada consciente, entretanto sempre Consciência, o veículo divino foi impelido para Arunachala, a Luz Permanente. Lá, totalmente dominado pela Luz, Ele permaneceu sentado.

Não podia falar, abrir os olhos ou mover-se. Não que Ele não quisesse. Sentia-se sob o controle de um algo interno que era uma experiência de interminável consciência e oniabrangente Bem-Aventurança. Era o estado de perfeito silêncio, de perfeita paz. A realidade na qual despertara e na qual não havia ‘ele’ para agir.

Nada lhe faltava, mas também de quase nada necessitava. Tinha certeza que Seu Pai velava por Ele desde o momento em que, ao chegar a Tiruvannamalai, se despojara de todos os seus pertences e dissera:

“Pai, obediente ao Seu chamado, aqui estou, tendo abandonado tudo”.

(Este texto foi extraído do livro ‘Ramana – Amor Supremo’)