Autoinvestigação e Autorealização

AQUIETE-SE, NÃO PENSE E SAIBA QUE EU SOU!

Devoto: Qual caminho o Senhor nos aconselha a tomar? Necessitamos da sua Graça. Bhagavan: Aquiete-se, não pense e saiba que EU SOU. (Do livro A Imortalidade Consciente, Paul Brunton, traduzido por Zofia Gaffon, p.27)

QUEM SOU EU? INDAQUE!

A mente desaparecerá somente através da autoinvestigação: “Quem sou eu?” O pensamento “Quem sou eu?” destruirá todos os outros pensamentos e, finalmente, destruirá a ele próprio também. Se aparecerem outros pensamentos a pessoa deve indagar a quem esses pensamentos surgiram, antes mesmo que sejam completados. Que importa quantos pensamentos surgem? A cada pensamento que apareça a pessoa deve permanecer alerta e indagar “Quem sou eu?” a mente voltará a sua fonte de onde surgiu. Conforme você pratique cada vez mais como se indicou acima, o poder da mente de permanecer em sua fonte aumentará. Embora apegos sensoriais sob a forma de vasanas (tendências oriundas de encarnações passadas) possam surgir, inumeráveis como as ondas do mar, serão destruídas à medida que a meditação progrida. Sem dar guarida a qualquer dúvida de que seja possível erradicar todas essas vasanas e perceber-se como o próprio Eu (Divino), a pessoa deve praticar a meditação dirigida ao Eu, de modo ininterrupto. Ainda que seja um grande pecador, ao invés de lamentar-se pensando “eu sou um grande pecador, como posso obter progresso espiritual?”, a pessoa deverá esquecer o fato de que é um pecador e, fervorosamente, prosseguir a meditação no Eu. Ele certamente será bem sucedido. Controlando a fala e a respiração e, mergulhando profundamente no interior de si mesmo, tal qual um homem que mergulha na água a fim de reaver algo que nela caiu, a pessoa deve encontrar a fonte da qual o ego surge por meio de uma penetrante introspecção. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol.1,, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.7)

QUEM FOI OFENDIDO?

A Autoinvestigação tem enorme potência na atividade diária. Se você se sente ofendido ou magoado, e se ressente disso, deve perguntar: “Quem foi ofendido? Quem foi magoado? Quem está ressentido? Eu?... Mas, quem sou eu? Porque na verdade, e temos que nos acostumar com a ideia – eu não sou este ego que se ressente, que se frustra, que se magoa, que se apega, e que diz – eu quero, eu posso, eu faço. Isto leva, paulatinamente, à desvalorização do ego. Quando dizemos, a respeito de alguém, “Fulano tem uma personalidade forte”, queremos dizer que ele é alguém que não leva desaforo para casa, que se altera com facilidade, que se impõe diante de todos, não é? E por que não se impor pela força de sua tranquilidade? Porque ser tranquilo não significa ser covarde, muito ao contrário, é preciso ser extremamente corajoso para enfrentar a vida com naturalidade e tranquilidade. Não há resposta para a pergunta Quem sou eu? Qualquer resposta seria um estímulo mental e o que se deseja é transcender a mente, é alcançar aquele estado de consciência que transcende tanto o plano físico quanto o mental. Na verdade, a melhor resposta é a mudança que vai se operando em nós, a modificação de nossa atitude a respeito dos acontecimentos, das pessoas, das preocupações.

AUTOSSUBMISSÃO É O MESMO QUE AUTOCONHECIMENTO

Devoto: Como pode a mente rebelde tornar-se calma e tranquila? Bhagavan: Ou pesquisando a sua fonte, até que ela (a mente) desapareça, ou submetendo-se ao Mestre, de tal maneira que ela possa ser aniquilada. Autossubmissão é o mesmo que Autoconhecimento, e qualquer um dos métodos implica necessariamente, em autocontrole. O ego somente se submete quando reconhece o Poder Supremo. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 13)

AUTOINVESTIGAÇÃO

Bhagavan: Qualquer que seja a forma que a sua autoindagação possa tomar, você precisa chegar finalmente ao único eu, o EU verdadeiro. Todas essas distinções feitas entre o “eu” e “você”, Mestre e discípulo, etc, são simplesmente um sinal de ignorância. Somente o EU supremo É. Pensar de outra maneira é iludir-se. A Autoinvestigação não é certamente uma fórmula vazia: é mais do que a repetição de qualquer mantra. Se a pergunta “Quem sou eu?” fosse uma simples pergunta mental ela não teria muito valor. O verdadeiro objetivo da Autoinvestigação é prender a mente na sua Fonte. Não é, entretanto, o caso de um “eu” procurando por outro “EU”. A Autoinvestigação envolve uma intensa atividade de toda a mente, para conservá-la firmemente fixada no puro conhecimento do “EU” (Consciência Pura). (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 26 e 27)

QUALQUER DIA É PROPÍCIO

“Para a prática da Autoinvestigação, qualquer dia é propício, qualquer momento é bom... não se prescreve nada de especial; qualquer hora, em qualquer lugar deve-se executá-la. Muitas práticas exigem objetos externos e ambiente apropriado, mas na Autoinvestigação nada há a exteriorizar; ao contrário, basta voltar a mente para o interior. Essenciais são a perseverança e a mente voltada para o SER no Coração.” (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.96)

O CAMINHO É PERMANECER NO CORAÇÃO ESPIRITUAL

“E agora Ele veio para dissipar as trevas do mero raciocínio, fornecendo um vivo exemplo de permanência em Brahaman (Puro SER)”. (Sri Ramana Gita, Canto 18 – Verso 20) Bhagavan Ramana demonstrou, através de Seu austero modo de viver, que o mais alto estado de Brahman era nada mais que o “EU-EU” em cada um de nós. O ideal mais elevado, sentido como “reservado” para os mais puros na realização espiritual, foi, desse modo, trazido para imediato alcance dos mais humildes! Como experimentar este “EU-EU, a Verdade última? Bhagavan disse que o caminho era permanecer no Coração (espiritual). E mostrou, também, a maneira: o caminho para o Coração – “Quem sou eu?”, quer dizer, a Autoinvestigação. Ele sempre viveu este estado de Puro “EU-EU”. Sua vida diária de simplicidade, espontaneidade e perfeição era somente um reflexo exterior da glória interior. (Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.27) HRIDAYAM Assim como há um centro cósmico de onde o Universo surge, tem seu ser e funciona com a força e a energia que daí emana, do mesmo modo há um centro dentro da estrutura do corpo físico no qual temos o nosso Ser. Esse centro em nós não é diferente do centro cósmico e se chama HRIDAYAM, a sede da Pura Consciência, percebida como Existência-Consciência Bem-Aventurança. É a isso que chamamos a sede de Deus em nós. É distinto do coração físico; tem sua existência no lado direito do peito e geralmente não é percebido por nós. O primeiro pensamento que surge em nós como “eu”, quando seguido até sua fonte, finda em algum lugar em nós, e esse lugar onde todos os pensamentos morrem, onde o ego se desvanece, é o Hridayam. Nesse Centro é sentida e desfrutada a Pura Consciência. A palavra HRIDAYAM é composta de Hrid e AYAM — Eu Sou o Coração. É o centro que alcançamos como resultado da meditação. Do Hridayam a Consciência se eleva para o chakra coronário e se espalha para todas as partes do corpo. Se, através da Vichara, alcançamos esse Centro, o Hridayam, e assim somos nosso EU REAL, desfrutamos de Imaculada Bem-Aventurança. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.37)

TODOS OS MÉTODOS SÃO IGUALMENTE BONS

Quando indagamos em nosso interior “Quem sou eu?” o “eu” a que nos referimos é o ego. É este ego quem pratica Vichara (Autoinvestigação). O Eu (Divino) não tem vichara. Aquele que faz a autoindagação também é o ego. Como resultado da indagação o ego cessa de existir e percebemos que somente o “Eu” (Divino) existe. Qual o melhor meio de matar o ego? Para cada pessoa será aquele que lhe seja mais fácil ou que a atraia mais. Todos os métodos são bons, todos os métodos são igualmente bons, pois levam ao objetivo, que é a submersão do ego no Eu. O que o bhakta (devoto) chama de submissão ao Divino, o homem que pratica a vichara chama de Jnana (sabedoria). Ambos estão tentando levar o ego de volta a fonte de onde ele surgiu e fazê-lo mergulhar lá. Pedir a mente que mate a si mesma é como pretender que o ladrão aja como o policial. Assim você deve introverter-se e verificar de onde a mente brota e, desse modo, esta cessará de existir. A respiração e a mente originam-se de uma mesma fonte; quando uma é controlada a outra também o será. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol.1, , A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.7)

BHAGAVAN DÊ-ME UM MÉTODO MAIS FÁCIL

Devota: Não sou versada nas Escrituras e acho o método da Autoinvestigação muito difícil para mim. Sou mãe de sete filhos, tenho muitos afazeres domésticos, o que me deixa pouco tempo para meditação. Peço a Bhagavan que me dê um método mais fácil e simples? Bhagavan: Nenhum conhecimento das escrituras é necessário para conhecer o SER, assim como nenhum homem precisa de um espelho para ver a sim mesmo. Todo o conhecimento é adquirido somente abandonando o não SER. Tampouco os afazeres domésticos e os cuidados com as crianças são obstáculos para isso. Se você nada mais pode fazer, continue dizendo “Eu”, “Eu” a você mesma, mentalmente, todo o tempo, conforme aconselhado no “Quem sou eu?”, seja qual for o trabalho que esteja fazendo, esteja sentada, em pé ou andando. “Eu” é o nome de Deus. É o primeiro e o maior de todos os mantras. Mesmo o OM é o segundo diante dele. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.27)

PODE UM HOMEM CASADO REALIZAR O SER?

Devoto: Qual a mais alta meta da experiência espiritual para o homem? Bhagavan: A Autorrealização. Devoto: Pode um homem casado realizar o SER? Bhagavan: Certamente. Casado ou solteiro, um homem pode realizar o SER, porque este já está aqui e agora. Se o SER não fosse atingível com algum esforço, em algum tempo; se Ele fosse algo novo e tivesse que ser adquirido, não seria digno de busca, porque o que não é natural, não é permanente, tão pouco. Mas o que eu digo é que o SER está aqui e agora. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 4)

O VERDADEIRO NOME DO HOMEM É LIBERTAÇÃO

“Ele é...O elixir dos Vedas, brilhante, com vários argumentos engenhosos; Ele esclarece os ensinamentos do Vedanta”. (Sri Ramana Gita, Canto 18 – Verso 16) “O verdadeiro nome do homem é libertação”, disse Bhagavan. Esta – a mais alta revelação, amplamente abordada nos Vedas e Upanishads. Ele trouxe consigo o alcance mais simples para compreensão do homem vivendo na sua própria Verdade. Bhagavan era a personificação da Verdade. Em Seus versos “ATMA VYDYA”, Ele enfatizou que o Autoconhecimento (Atma- Vydya) é muito fácil de se obter. Um devoto perguntou: “Porque se diz que o Autoconhecimento é o mais fácil? Bhagavan respondeu: “Qualquer outro Conhecimento requer um conhecedor, o conhecimento, e o objeto a ser conhecido, enquanto que o Autoconhecimento não requer nenhum deles. É o SER. Pode alguma coisa ser tão óbvia quanto esta? Por isso é a mais fácil. Tudo que você tem que fazer é perguntar QUEM SOU EU? ” (Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.24)

COMO VER TODAS AS COISAS EM NOSSO PRÓPRIO SER

Durante os últimos três dias, um jovem que chegou recentemente tem estado perturbando Bhagavan com um número de perguntas sem sentido. Bhagavan estava explicando tudo pacientemente com todo detalhe. Esta manhã, às nove horas, ele começou de novo, em um tom de voz que denotava desagravo: “Você diz que tudo é o nosso próprio SER?” Bhagavan respondeu: “O que significa tudo? Quem é você? Se me disser quem você é, então poderemos pensar em tudo. Você tem estado perguntando tantas coisas nestes últimos dias, mas ainda não respondeu a minha pergunta sobre quem você é. Primeiro diga-me quem você é, depois pergunte sobre tudo. Então eu responderei. Se apenas tentasse descobrir quem você é, essas questões não surgiriam. Se não tenta isso e continua pensando o que perguntar a seguir, isso continuará como um fluxo interminável. Não há limite para isso. Só haverá PAZ mental praticando a autoinvestigação e descobrindo a verdade; se ao invés disso ficamos perguntando sobre isso ou aquilo, de que adianta? Tudo isso é esforço desperdiçado.” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p. 42)

O QUE É MEDITAÇÃO?

Bhagavan: Meditação é Brahman. Diz-se que para libertar-se dos males que são criados pela mente, alguma prática religiosa deve ser adotada, e com base nisso, a meditação deve ser praticada. Conforme você continua praticando os males desaparecerão. E, depois que eles desaparecem, a própria meditação se torna estável como Brahman. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.85)