A Graça do Guru

O MESTRE E SUA GRAÇA

Devoto: O que é a Graça do Guru (Guru-Kripa)? Como pode ela ajudar a Autorrealização? Bhagavan: O Mestre é o SER... Algumas vezes um homem torna-se insatisfeito com sua vida e, descontente com o que tem, busca satisfação dos desejos através de orações a Deus, etc. Sua mente é gradativamente purificada até que ele deseje, ardentemente, conhecer Deus, mais para obter Sua Graça do que para satisfazer desejos mundanos. Então, a Graça de Deus começa a manifestar-se – Deus toma a forma de um Guru (Mestre) e aparece ao devoto, ensina a ele a verdade e, além disso, purifica sua mente pela associação com o Guru. A mente do devoto ganha forças e torna-se, então, capaz de voltar-se para dentro. Pela meditação ela é intensamente purificada e se conserva quieta, sem nenhum murmúrio. Esta calma expansão é o SER. O Guru é, ao mesmo tempo interno e externo. Do “exterior” Ele dá um empurrão na mente para introversão; do interior Ele puxa a mente do devoto em direção ao SER e o ajuda a silenciá-la. Isto é a Graça do Guru (Guru-Kripa). Não há diferença entre Deus, Guru e o SER. Devoto: Como posso obter a Graça? Bhagavan: A Graça é o SER. Isto também não precisa ser adquirido: você precisa apenas saber que é assim. O Sol é somente claridade. A escuridão desaparece à aproximação do Sol. Assim, também a ignorância dos devotos, como o fantasma da escuridão, desaparece sob o olhar do Guru. Você está cercado pela luz do Sol, contudo, se quiser vê-lo, você precisa virar-se em sua direção e olhar para ele. Assim também a Graça do Guru é encontrada pela aproximação apropriada, embora a Graça esteja sempre presente. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I e II), Sri Ramanasraman, p. 21)

O MONTE ARUNACHALA

O amor de Bhagavan por Arunachala ensina-nos a própria lição de Unidade: surge do Centro, todavia permanece no Centro como o Centro. Para alguém como Ramana, que não é limitado pelo corpo, só Aquilo existe, e Aquilo é Amor, o palpitar interior, palpitar que é o movimento do SER para o SER. Ele nos fala com brilhante simbolismo do amor e da união entre a alma humana e Deus; Noivo, filho, amigo, alma, servo – Sri Ramana encontra seu noivo, Pai, Guru, Mestre em Arunachala-Shiva. O Amor que O preenchia como Arunachala Ele o partilhava com todos – o que é Arunachala senão Amor corporificado, sólido, forte?, – o Amor que move o Sol e a Lua, e faz o coração de cada ser humano florescer como o Lótus. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.16)

TATTVAMASI (TU ÉS ISSO)

Agora o Mestre fala: “As pessoas pensam que o Mestre está confinado à forma humana, mas não é assim; sua presença e existência são universais, cósmicas, porque Ele é o Guru Verdadeiro (Sat Guru) e a Verdade (Sat) como tal não é uma entidade a ser descoberta. Ele esteve sempre com você, mesmo enquanto você estava suportando todas as aflições da existência. De fato, Eu sou o Eu em você; você e eu nunca estivemos separados e nunca poderemos estar. Mas você, com seu eu separado e os exclusivos e conflitantes interesses dele, não pode conhecer-Me, muito menos sentir-Me. Agora que aquele eu em você se desprendeu, somente Eu vivo em você. Isto é o significado de Tattvamasi (Tu és Isso) e isto é o significado da Graça do Guru.” (Do livro Aos Pés De Bhagavan, T. K. Sundaresa Iyer, p.10)

FORÇA DIVINA

Bhagavan: Antes de perceber que não há diferença entre nós e Deus, primeiro devemos descartar todos esses atributos irreais que realmente não são nossos. Não podemos perceber a verdade a menos que todas estas “qualidades” sejam descartadas. Há uma força Divina que é a fonte de todas as coisas. Todas estas outras “qualidades” não podem ser descartadas a menos que nos agarremos a essa força. A prática espiritual (Shadana) é necessária para agarrar-se a essa força. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.83)

A EXCELÊNCIA DA GIRI PRADAKSHINA

Bhagavan: A excelência da Giri Pradakshina (caminhada ao redor da colina) foi descrita extensamente em Arunachala Purana. O Senhor Nadikesa fez a Sadasiva uma pergunta semelhante e Sadasiva falou o seguinte: andar em volta desta colina é bom. A palavra Pradakshina tem um significado típico. Pra representa a remoção de toda espécie de pecados; Da representa a realização dos desejos; Kshi representa a libertação dos nascimentos futuros; Na significa libertação através do Conhecimento. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Veja, p.133)

O QUE É UPADESA (INCIAÇÃO)

Sri Bhagavan, definindo o que é Upadesa (iniciação), diz: “Upadesa significa mostrar um objeto distante, bem perto. Brahman (Deus), que o discípulo acredita estar distante e ser diferente dele mesmo, está próximo e não é diferente dele mesmo.” A própria vida de Bhagavan Sri Ramana Maharshi é Upadesa. Cada ação Sua, cada movimento Seu é eterna Upadesa – o Silêncio de Ouro. (Do livro Aos Pés De Bhagavan, T. K. Sundaresa Iyer, Prefácio)

RAMANA CARREGA O FARDO

Ramana carrega sobre Sua cabeça, porque esse é Seu destino, o fardo de todos aqueles que se lançam a Seus pés e O Tomam como único refúgio; a Paz vem naturalmente a todos os que vivem com Ele, quaisquer que sejam os perigos que possam ameaçar Seus devotos... (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A, Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.23)

DEVOÇÃO

“A totalidade de minha devoção a ti Ó Bhagavan, não se deve à excelência de meu poder de raciocínio ou a minha maturidade espiritual, mas apenas ao brilho que você derramou sobre mim com tanta abundância.” (Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.29) BHAGAVAN SALVE-ME O olhar de Bhagavan – pleno de Graça – é em si mesmo a Fonte da Felicidade e Alegria. Devotos de todas as partes do mundo vinham à sua presença para receber este “revelador do SER” olhar de Graça. Seu olhar dava um “antegozo de Eternidade”, instantaneamente, a mais de uma alma ansiosa. Durante a doença de Bhagavan, grande número de devotos permanecia na fila para ter o Darshan (Benção através do olhar) de Bhagavan. A fila era tão grande que uma pessoa não podia ter mais de um segundo ou dois de Seu Darshan. Mesmo esta marcha silenciosa não acontecia sem um incidente ou outro, para mostrar quão compassivo e alerta era Bhagavan. Um devoto tímido, Mangaran, que nunca se soube ter falado com Bhagavan ou sentado no salão em qualquer outro lugar que não fosse nas últimas fileiras, encheu-se de coragem para lançar um pedaço de papel aos pés de Bhagavan, enquanto passava perto. Bhagavan pegou o papel, leu-o e pediu que a pessoa fosse trazida até Ele. Os atendentes trouxeram-lhe diante de Bhagavan, embora ele fosse acusado de ter quebrado a disciplina, merecendo ser repreendido. Bhagavan olhou-o firmemente na face com um sorriso largo e afável e inclinou Sua cabeça em aprovação. O bilhete continha as palavras: “Bhagavan Salve-me”. (Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.9)

O MESTRE DA COMPAIXÃO

O maior momento em minha vida foi quando tive o último Darshan (Benção através do olhar) de Sri Bhagavan. Aconteceu assim. Eu estava viajando por toda a Índia com meu chefe, um capataz rigoroso. Uma carta de Visvana chegou repentinamente: “Não demore. Venha a Tiruvanamalai logo.” (*) Corri para Arunachala e Visvana me fez entrar rapidamente na fila que esperava para ter o Darshan de Sri Bhagavan, o Mestre da Compaixão derramando pura Bem-Aventurança e Graça em abundância! Visvana sussurrou apenas movendo os lábios: Sivaraman, Sivaraman, como se estivesse me apresentando a Sri Bhagavan. Essa Colina de Amor fez um aceno de reconhecimento quase imperceptível. O propósito de minha vida está preenchido com esse simples aceno. Eu sou reconhecido, eu sou aceito, eu estou salvo! (*a “morte” de Sri Bhagavan estava próxima) (Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.30 e 31)

ESQUILOS

Os esquilos costumavam fazer seus ninhos no teto do antigo salão. Certa vez, alguns esquilos recém-nascidos caíram lá de cima sobre o sofá de Bhagavan. Tinham os olhos ainda fechados e cada um media apenas uns poucos centímetros, eram avermelhados, de carnes frescas e muito macios. A mãe esquilo os ignorou. E agora? O que fazer? Como alimentar e cuidar de tão tenras coisinhas? Os filhotes de esquilo estavam na palma da mão de Bhagavan, Seu rosto brilhava de amor e afeição por eles, enquanto havia uma expressão de interrogação nos rostos daqueles que estavam à Sua volta. Ele mesmo estava feliz e alegre. Pediu que trouxessem algodão. Fez uma cama macia para eles; pegou também um pouquinho de algodão e torceu-o até que a ponta ficasse como a ponta de um alfinete; molhou-o no leite e pingou o leite nas pequeninas bocas. A intervalos regulares, Bhagavan repetia esse ato de compaixão. Atendeu-os com grande cuidado e amor até que cresceram e começaram a correr por ali, em volta de sua “mãe”. Sim, as afortunadas criaturinhas cresceram com Bhagavan como “mãe”! (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.64)

NÃO É SUFICIENTE?

“Um doador de bênçãos para os devotos. Mestre dos Mantras; como a árvore celestial, Ele suaviza a angústia daqueles que procuram a sombra de seus pés” (Sri Ramana Gita, Canto 18 – Verso 15) Bhagavan raramente saía antes de meia noite para atender ao chamado da natureza. Uma noite Ele teve que fazê-Lo devido a um problema de estômago. Um devoto que estava de pé, próximo, notou que naquele dia Bhagavan levou um tempo muito maior do que o usual. Então, no escuro, ele se aproximou de Bhagavan. Escutou um som peculiar, como “slop, slop, slop”. Bhagavan estava falando com alguém: “Basta! Basta! Você ainda não está satisfeito?” O atendente viu Bhagavan sentado desconfortavelmente, abaixado, e um cachorro lambendo-O de alto a baixo – alegre e vigorosamente! O cachorro era magro, esquelético e estava mal-cheiroso com feridas, doente e muito feio de se olhar! Apreensivo que o atendente levasse o cão para fora, Bhagavan justificou: “Ele estava muito interessado em mostrar-Me sua afeição todos esses dias. Pobre companheiro! Ele era sempre posto para fora antes que conseguisse fazê-lo. Hoje ele me pegou no escuro. Seu intenso amor ele comunicou lambendo-me, para alegria do seu coração”. Bhagavan levantou, com lágrimas nos olhos, deixou o cachorrinho dizendo: ”Porumada” (não é suficiente?). Posso ir agora? No dia seguinte o cachorro foi encontrado morto. Ele “morreu”? Ele foi liberto? (Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.23)

O MESTRE ACEITA

A Princesa Prabhavati Raji, logo depois do seu casamento, veio com seu marido para receber as bênçãos de Bhagavan. Trouxe duas bonitas grinaldas de rosas e junto com seu marido queria colocá-las em volta do pescoço de Bhagavan. Tais coisas eram estritamente proibidas. Todavia, por causa de seu intenso amor, ela insistiu em seu pedido e levou as grinaldas até Bhagavan que estava sentado no sofá. Bhagavan, enquanto recusava as grinaldas, sugeriu, “Coloque-as no santuário da Mãe”. Prabhavati ficou desapontada e, antes de partir, colocou as grinaldas sobre o sofá, ao abaixar-se para prostrar-se. Ela ergueu-se, pegou as grinaldas e saiu do salão, chorando amargamente. Passado algum tempo, Sri Kunju Swami, a modo de consolo, mostrou a ela a certa distância uma notável visão. Bhagavan estava catando, uma a uma, as pétalas que tinham caído das grinaldas sobre o sofá e, vagarosamente, as estava colocando em sua boca uma após outra! Kunju Swami disse a Princesa: “Veja! Como você é afortunada! Você ficou desapontada porque Bhagavan não aceitou as grinaldas de rosas, mas agora suas rosas serviram como Seu alimento. Isso não é uma verdadeira aceitação?” Ela ficou imensamente contente e suas lágrimas de angústia tornaram-se lágrimas de alegria! (Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.6)

PODE SE CHOCAR UM OVO QUEBRADO?

Eram as primeiras horas da manhã. Bhagavan havia tomado seu banho e agora ia para o canto mais afastado do Salão para pegar sua toalha, que estava pendurada em um bambu suspenso horizontalmente, numa das extremidades do qual uma pardoca havia construído seu ninho e posto nele 4 ovos. No momento de pegar sua toalha, a mão de Bhagavan esbarrou no ninho que balançou violentamente fazendo com que um dos ovos caísse no chão e se quebrasse. Consternado, Bhagavan chamou seu assistente: “Olhe, olhe o que eu fiz!” Assim dizendo, Bhagavan pegou o ovo quebrado em Suas mãos, olhou-o com olhos extremamente ternos e exclamou: “A pobre mãe ficará tão triste e ferida, talvez até zangada comigo por ter causado a destruição do seu esperado pequenino! Poderá a casca quebrada ser emendada novamente? Vamos tentar!” Assim dizendo Ele pegou um pano, molhou-o, enrolou-o em volta do ovo quebrado e recolocou-o no ninho. A cada 3 horas Ele pegava o ovo quebrado, removia o pano, colocava o ovo na palma de Sua mão e olhava para ele por vários minutos. O que Ele realmente estaria fazendo naquele momento? Como saber? Estaria Ele enviando com aqueles maravilhosos olhares de Graça raios de energia vivificante para o ovo quebrado, colocando até mesmo novo calor e vida nele? E ele continuava dizendo: “Deixa a quebradura ser curada! Não pode ser chocado mesmo assim? Permita que o pequenino venha de dentro deste ovo quebrado! Esta solicitude ansiosa e terna de Sri Maharshi continuou por uma semana. Assim, o ovinho permaneceu em seu ninho com seu pano-atadura molhado, sendo contemplado com o divino toque e o olhar bondoso. Ao final da semana Ele apanhou o ovo e, com o espanto de um escolar, exclamou: “Vejam que maravilha! A rachadura se fechou e a mãe ficará feliz por poder chocar seu ovo, afinal! Meu Senhor libertou-me do pecado de causar a perda de uma vida. Vamos aguardar que o pequenino apareça!” Poucos dias se passaram e afinal, em uma linda manhã Bhagavan descobriu que o ovo havia sido chocado e que o pequeno pássaro tinha nascido. Ele pegou o pequenino em Suas mãos, acariciou-o, afagou-o com Sua mão suave e mostrou-o a todos os presentes. Ah!, quanto cuidado pelo significado da Criação! As lágrimas de ansiedade à quebrada casca do ovo foram substituídas pelas lágrimas de alegria pelo nascimento do pequenino. Haveria um coração de bondade mais doce do que este?” (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.94)

NÃO DEVEMOS NUNCA TENTAR SER BRILHANTES

Apenas nossa completa submissão ao Mestre pode salvar-nos. Não devemos nunca tentar ser brilhantes, pois o brilhantismo não tem absolutamente espaço na espiritualidade. Temos de nos tornar crianças inocentes — como o recém-nascido que depende de sua mãe. O Guru nos salvará. É Sua responsabilidade. E nenhum brilho ou esforço é necessário para isso. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.103)