Igualdade no Mundo

VIA EM TODOS SERES APENAS A SI MESMO

Tinha havido um ciclone na noite anterior e galhos de árvores tinham caído; uma árvore fora arrancada pela raiz. Bhagavan se aproximou, sentou-se no chão úmido e começou a colher as folhas. Vendo-o, outras pessoas também começaram a fazer o mesmo. Ele disse: “De outra forma, estas folhas seriam desperdiçadas, mas elas podem ser cozidas e são excelentes para a saúde”. Neste dia o rei Rammad ia visitar Bhagavan. Bhagavan também sabia disto, mas o rei chegou e o salão estava vazio. O administrador do Ashram não sabia como fazer Bhagavan voltar para o salão para conceder o Darshan (Benção através do olhar) ao rei. Bhagavan, imperturbável, continuou ocupando-se de sua “tarefa”. O rei teve que vir até Bhagavan, que continuava a desfolhar a árvore, sem se importar com o que se passava à sua volta. O rei estava impressionado por ver um Sábio absorto em “atividade” (ação). Por amor, Ele englobava em Si todo o Universo; pela convicção da experiência via em todos, seres animados ou inanimados, apenas a Si Mesmo. (Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.5)

COMO VER TODAS AS COISAS EM NOSSO PRÓPRIO SER

Durante os últimos três dias, um jovem que chegou recentemente tem estado perturbando Bhagavan com um número de perguntas sem sentido. Bhagavan estava explicando tudo pacientemente com todo detalhe. Esta manhã, às nove horas, ele começou de novo, em um tom de voz que denotava desagravo: “Você diz que tudo é o nosso próprio SER?” Bhagavan respondeu: “O que significa tudo? Quem é você? Se me disser quem você é, então poderemos pensar em tudo. Você tem estado perguntando tantas coisas nestes últimos dias, mas ainda não respondeu a minha pergunta sobre quem você é. Primeiro diga-me quem você é, depois pergunte sobre tudo. Então eu responderei. Se apenas tentasse descobrir quem você é, essas questões não surgiriam. Se não tenta isso e continua pensando o que perguntar a seguir, isso continuará como um fluxo interminável. Não há limite para isso. Só haverá PAZ mental praticando a autoinvestigação e descobrindo a verdade; se ao invés disso ficamos perguntando sobre isso ou aquilo, de que adianta? Tudo isso é esforço desperdiçado.” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p. 42)

ISTO É PARA BHAGAVAN

Uma menina de 5 ou 6 anos de idade, filha de um devoto residente, em Ramana Nagar, trouxe duas frutas do seu jardim e as deu a Bhagavan. Ela costumava trazer doces e frutas de vez em quando e os dava a Bhagavan. Em todas as ocasiões Bhagavan dizia: “Para que isto?” Mas ele as comia assim mesmo. Ontem, ele as devolveu e disse: “Leve estas frutas para casa, corte-as em pequenas porções e reparta com todos os outros dizendo: isto é para Bhagavan, isto é para Bhagavan, isto é para Bhagavan... e você também coma. Bhagavan está dentro de todos. Por favor, vá.” A menina foi embora desapontada. Olhando para mim Bhagavan disse: “As crianças tem grande prazer fazendo essas coisas. Se disserem que vão dar alguma coisa ao Swami, sabem que receberão também algo nisso. Quando eu estava na colina, garotinhos e garotinhas vinham a mim sempre que tinha um feriado. Costumavam pedir dinheiro a seus pais e trazer pacotes de doces, biscoitos e coisas assim.“Quando eles diziam que trariam algo para o Swami, sabiam que ganhariam algo também. Tudo certo se for feito de vez em quando. Mas porque todos os dias? Se todos eles comerem não equivale isso a comer também Eu?” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.138)

IGUALDADE

Ontem, uma macaca com seu filhote parou na janela do lado do sofá de Bhagavan. Bhagavan estava lendo algo e não percebeu. Daí a pouco, a macaca guinchou e um dos assistentes tentou afugentá-la gritando, mas ela não ia embora. Bhagavan olhou e disse: “Espere, ela veio para mostrar o filhote para Bhagavan; todas as outras pessoas não trazem seus filhos para mostrá-los? Para ela, seu filhote é igualmente querido. Veja como ele é novinho.” Assim dizendo, Bhagavan voltou-se para ela e disse em tom meigo: “Olá! Então você trouxe seu filhinho? Muito bom!” E dando a ela uma banana mandou-a embora. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p. 19)

A DOR É MINHA

Os macacos eram um verdadeiro incômodo naquele tempo. Eles causavam estragos com os legumes e outras coisas trazidas pelos devotos. Quando nos queixamos a Bhagavan, Ele disse: “Não faz muitos anos aqui era lar dos macacos. Nós chegamos, limpamos o solo, construímos casas e expulsamos os macacos. Quem são os culpados, eles ou nós? Se eles nos causam alguns problemas, não podemos suportá-los tranquilamente?” Bhagavan era realmente afeiçoado a eles. Quando um atendente bateu nos macacos por roubarem amendoins, Bhagavan repreendeu-o, dizendo: “Você não está batendo nos macacos, está batendo em mim. A dor é minha!” (Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.42)

O SADHU

Numa ocasião importante foram feitos arranjos para alimentar os pobres no Ashram. Quando a hora da refeição se aproximava e as pessoas estavam se encaminhando para o refeitório, alguém gritou, com autoridade, que não seria permitida a entrada de sadhus. Conseqüentemente alguns sadhus pobres foram levados para outro lugar. Quando todos já estavam sentados, os cozinheiros queriam começar a servir, mas o principal convidado, Sri Bhagavan, não podia ser encontrado em lugar nenhum. Começaram a procurá-lo em todas as direções, e finalmente um grupo percebeu que Ele estava sentado sob uma árvore frondosa, a alguma distância do Ashram. Pediram-Lhe que voltasse ao Ashram para a refeição, mas Ele replicou: “Vocês não querem que sadhus permaneçam lá. Desde que eu também sou um sadhu, saí de lá, como vocês desejavam”. Sri Bhagavan identificava-se com os mais humildes, e jamais aceitou nenhum privilégio. Ele costumava corrigir os que erravam —não mostrando zanga ou desgosto—mas pelo exemplo, claro e direto. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.77)