Realidade e Não-dualidade

ADVAITA (NÃO DUALIDADE)

Bhagavan: A não dualidade não significa que o homem deve sempre sentar-se em Samadhi e não se ocupar em ações. Muitas coisas são necessárias para manter a vida do corpo, e a ação não pode ser evitada. Nem a Devoção é rejeitada pela não dualidade. Sankara é considerado o maior expoente do Advaita (não dualidade) e, ainda assim, veja os inúmeros santuários que ele visitou (ação) e as canções devocionais que escreveu. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.26)

O JNANI E O MUNDO

Bhagavan: Vendo o mundo o Jnani (Sábio) vê o SER, que é o Substrato de tudo o que é visto; o Ajnani (ignorante), quer ele veja o mundo ou não, é ignorante de seu verdadeiro SER, o EU. Tome o exemplo dos filmes na tela do cinema. O que existe à sua frente antes dos filmes começarem? Somente a tela. Nesta tela, você vê toda a apresentação, e para todos os efeitos, as cenas são reais. Mas, vá e tente segurá-las. O que você segura? Simplesmente a tela, na qual as cenas pareciam tão reais. Depois do espetáculo, quando o filme acaba, o que permanece? Novamente a tela. O mesmo se dá com o EU. Só existe o EU; as cenas vêm e vão. Se você se conservar no EU, não será enganado pelo aparecimento das cenas. Nem se interessará tão pouco, se as cenas aparecem ou desaparecem. Ignorando o EU, o Ajnani pensa que o mundo é real, da mesma forma que ignorando a tela, ele vê somente as cenas, como se elas existissem separadas da tela. Se uma pessoa sabe que, sem Aquele que vê, nada existe para ser visto, assim como não há cenas sem a tela, essa pessoa não se ilude. O Jnani sabe que a tela, as cenas, e aquele que vê, nada mais são do que o EU. Com as cenas o EU está na sua forma manifesta; sem as cenas Ele permanece na forma não manifesta. Para o Jnani é completamente indiferente se o EU se apresenta numa forma ou noutra – Ele é sempre o EU. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 33)

ISTO É PARA BHAGAVAN

Uma menina de cinco ou seis anos de idade, filha de um devoto residente, em Ramana Nagar, trouxe duas frutas do seu jardim e as deu a Bhagavan. Ela costumava trazer doces e frutas de vez em quando e os dava a Bhagavan. Em todas as ocasiões Bhagavan dizia: “Para que isto?” Mas ele as comia assim mesmo. Ontem, ele as devolveu e disse: “Leve estas frutas para casa, corte-as em pequenas porções e reparta com todos os outros dizendo: isto é para Bhagavan, isto é para Bhagavan, isto é para Bhagavan... e você também coma. Bhagavan está dentro de todos. Por favor vá.” A menina foi embora desapontada. Olhando para mim Bhagavan disse: “As crianças tem grande prazer fazendo essas coisas. Se dizem que vão dar alguma coisa ao Swami, sabem que elas receberão também algo nisso. Quando eu estava na colina, garotinhos e garotinhas vinham a mim sempre que tinha um feriado. Costumavam pedir dinheiro a seus pais e traziam pacotes de doces, biscoitos e coisas assim.“Se eles diziam que trariam algo para o Swami, sabiam que ganhariam algo também. Tudo certo se for feito de vez em quando. Mas porque todos os dias? Se todos eles comerem não equivale isso a comer também Eu?” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.138)

A REALIDADE E O MUNDO

O Eu (Divino) é a única realidade que sempre existe e é através de sua luz que tudo é visto. Nós nos esquecemos disto e nos concentramos na aparência. A luz existente em uma sala de espetáculos ilumina as pessoas que se acham nela encenando uma peça, tanto quanto ilumina a sala quando nada está sendo encenado. É a luz que nos permite ver a sala, as pessoas e a cena. Estamos tão absorvidos nos objetos ou aparências reveladas pela luz que não prestamos atenção na própria luz. Nos estados de vigília ou de sono nos quais aparecem as coisas e no estado de sono profundo quando nada se vê, a luz da Consciência ou do Eu acha-se sempre presente, tal como a luz da sala que brilha permanentemente. O que se tem que fazer é concentrar-se naquele que vê e não no objeto visto, isto é, na luz que os revela. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p. 4)

TATTVAMASI (TU ÉS ISSO)

Agora o Mestre fala: “As pessoas pensam que o Mestre está confinado à forma humana, mas não é assim; sua presença e existência são universais, cósmicas, porque Ele é o Guru Verdadeiro (Sat Guru) e a Verdade (Sat) como tal não é uma entidade a ser descoberta. Ele esteve sempre com você, mesmo enquanto você estava suportando todas as aflições da existência. De fato, Eu sou o Eu em você; você e eu nunca estivemos separados e nunca poderemos estar. Mas você, com seu eu separado e os exclusivos e conflitantes interesses dele, não pode conhecer-Me, muito menos sentir-Me. Agora que aquele eu em você se desprendeu, somente Eu vivo em você. Isto é o significado de Tattvamasi (Tu és Isso) e isto é o significado da Graça do Guru.” (Do livro Aos Pés De Bhagavan, T. K. Sundaresa Iyer, p.10)

O MONTE ARUNACHALA

O amor de Bhagavan por Arunachala ensina-nos a própria lição de Unidade: surge do Centro, todavia permanece no Centro como o Centro. Para alguém como Ramana, que não é limitado pelo corpo, só Aquilo existe, e Aquilo é Amor, o palpitar interior, palpitar que é o movimento do SER para o SER. Ele nos fala com brilhante simbolismo do amor e da união entre a alma humana e Deus; Noivo, filho, amigo, alma, servo – Sri Ramana encontra seu noivo, Pai, Guru, Mestre em Arunachala-Shiva. O Amor que O preenchia como Arunachala Ele o partilhava com todos – o que é Arunachala senão Amor corporificado, sólido, forte?, – o Amor que move o Sol e a Lua, e faz o coração de cada ser humano florescer como o Lótus. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.16)

HRIDAYAM

Assim como há um centro cósmico de onde o Universo surge, tem seu ser e funciona com a força e a energia diretriz que daí emana, do mesmo modo há um centro dentro da estrutura do corpo físico no qual temos o nosso Ser. Esse centro em nós não é diferente do centro cósmico e se chama HRIDAYAM, a sede da Pura Consciência, percebida como Existência-Consciência Bem-Aventurança. É a isso que chamamos a sede de Deus em nós. É distinto do coração físico; tem sua existência no lado direito do peito e geralmente não é percebido por nós. O primeiro pensamento que surge em nós como “eu”, quando seguido até sua fonte, finda em algum lugar em nós, e esse lugar onde todos os pensamentos morrem, onde o ego se desvanece, é o Hridayam. Nesse Centro é sentida e desfrutada a Pura Consciência. A palavra HRIDAYAM é composta de Hrid e AYAM — Eu Sou o Coração. É o centro que alcançamos como resultado da meditação. Do Hridayam a Consciência se eleva para o chakra coronário e se espalha para todas as partes do corpo. Se, através da Vichara, alcançamos esse Centro, o Hridayam, e assim somos nosso EU REAL, desfrutamos de Imaculada Bem-Aventurança. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.37)

O ÚNICO E ONIPRESENTE SER

Na tarde de ontem, após o canto dos Vedas, um jovem europeu que chegara quatro ou cinco dias antes, fez a Bhagavan uma série de perguntas. Bhagavan, como de costume, contra-atacou com a pergunta: Quem é você?, Quem está fazendo estas perguntas? Incapaz de conseguir qualquer outra resposta, o jovem, como último recurso, perguntou a Bhagavan de qual verso do Gita gostava mais, e Bhagavan respondeu que gostava de todos eles. Quando o jovem insistiu ainda perguntando qual era o verso mais importante, Bhagavan disse-lhe: Capítulo X Verso 20 que diz: “Eu sou o SER, Ó Gudakesa (outro nome de Arjuna), que resido no coração de todos os seres; Eu Sou o começo o meio e o fim de todos os seres.” O perguntador gostou e ficou satisfeito e ao se despedir disse: “Swami, este ser irreal é obrigado a viajar devido às exigências do trabalho. Suplico que tenha a bondade de recomendar que este ser irreal se funda no SER Real.” Bhagavan, sorrindo, respondeu: “Tal recomendação poderia ser necessária onde houvesse uma quantidade de seres distintos, um para pedir a recomendação, um para recomendar e um para ouvir a recomendação. Mas não existem tantos Seres. Só existe um SER. Tudo está no único SER. A quem devo me dirigir e quem há para ouvir?” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.6)

BRINDAVAN É ONDE QUER QUE A PESSOA ESTEJA

Devoto: Se eu quero ver a forma real de Sri Krishna, terei que ir a Brindavan e meditar, ou isso pode ser feito em qualquer lugar? Bhagavan: A pessoa deve realizar seu próprio SER e quando isso é feito, Brindavan é onde quer que a pessoa esteja; não há necessidade de ir de lugar em lugar pensando que Brindavan está em qualquer outro lugar. Aqueles que tiverem desejo de ir, que vão, mas nada há de imperativo nisto. Bhagavad Gita , Capítulo X, Verso 20 que diz: “Eu sou o SER, Ó Gudakesa (outro nome de Arjuna), que resido no coração de todos os seres; Eu Sou o começo o meio e o fim de todos os seres.” E Bhagavan continuou: “Onde estivermos, ali é Brindavan. Se a pessoa investiga sobre quem ela é e o que ela é, e descobre a verdade, ela se torna o próprio SER – Krishna. Entregar todos os nossos desejos inerentes ao nosso próprio SER é a verdadeira submissão. Depois disso o fardo é D´Ele.” (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.7) BRAHMAN Bhagavan: “Brahman não é para ser visto ou conhecido. Ele está além da triputi (Tríade) de vidente, visão e o que é visto ou conhecedor, conhecimento e conhecido. A Realidade permanece sempre como é; há agnana (ignorância) ou o mundo devido à nossa ilusão. Nem o conhecimento nem a ignorância são reais; o que está além disso, como todos os pares de opostos é a Realidade. Não está na luz nem nas trevas, mas além de ambas, embora às vezes, tenhamos de falar dela como luz, e da ignorância como sua sombra.” (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.19) GAYATRI Devoto: O Gayatri (Mantra ancestral) ajuda? Bhagavan: O que é o Gayatri? Realmente ele significa: “Que eu me concentre Naquilo que tudo ilumina”. Dhyana (meditação) realmente significa somente concentrar-se ou fixar a mente no objeto de Dhyana. Mas a meditação é nossa real natureza. Se abandonarmos outros pensamentos, o que fica, o que permanece é o “Eu”, e sua natureza é Dhyana ou meditação, ou Gnana (Conhecimento), como quisermos chamá-lo. O que representa, em uma fase, os meios, mais tarde torna-se o fim; a menos que a meditação fosse da natureza do SER, não poderia levá-lo ao SER. Se os meios não forem da natureza da meta, não poderão levá-lo à meta. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.34)