Silêncio, Mente e Ego

AQUIETE-SE, NÃO PENSE E SAIBA QUE EU SOU!

Devoto: Qual caminho o Senhor nos aconselha a tomar? Necessitamos da sua Graça. Bhagavan: Aquiete-se, não pense e saiba que EU SOU. (Do livro A Imortalidade Consciente, Paul Brunton, traduzido por Zofia Gaffon, p.27)

SILÊNCIO E SOLIDÃO

Devoto: O que é Mouna? Bhagavan: Mouna (Silêncio) é aquele estado que transcende a fala e o pensamento; é meditação sem atividade mental. Submissão da mente é meditação: a meditação profunda é uma eterna conversa. O Silêncio está sempre falando; ele é o eterno surgir da “linguagem”. As palavras interrompem esta muda “conversa”. As leituras podem distrair o indivíduo por horas sem melhorá-lo – o Silêncio, entretanto, é permanente e beneficia toda a humanidade. A Eloquência exprime-se pelo Silêncio – o Silêncio é incessante Eloquência...Ele é a melhor linguagem. Há um estado em que todas as palavras cessam e o Silêncio prevalece. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 9)

O CONTROLE DA MENTE

Bhagavan: O SER é o coração, Autoluminoso. A iluminação surge do coração e alcança o cérebro, que é a sede da mente. O mundo é visto com a mente – assim, você vê o mundo pela luz refletida do SER. Quando a mente é iluminada, ela está consciente do mundo; quando não, ela é inconsciente do mundo. Se introvertermos a mente em direção à Fonte de Iluminação, o conhecimento objetivo cessa , e o SER brilha sozinho, como o Coração. A lua brilha pelo reflexo da luz do Sol. Quando o Sol se põe, a lua nos ajuda a distinguir os objetos. Quando o Sol nasce, nenhuma necessidade há da lua, embora ela esteja visível no céu. Assim é com a mente e o Coração – a mente torna-se útil pela sua luz refletida – e é usada para que possamos ver os objetos. Quando dirigida para dentro, ela mergulha na Fonte da Iluminação, que brilha por si mesma, e a mente, então, é como a lua vista durante o dia. Quando escurece, uma lâmpada é necessária para fornecer luz. Mas quando o Sol surge, a lâmpada se torna inútil; os objetos são visíveis. E para ver o Sol, nenhuma lâmpada é necessária, basta que você vire seus olhos em direção a ele. Assim é com a mente: para ver os objetos, a luz refletida da mente é necessária. Para ver o Coração, é suficiente que a mente se volte para ele – então, a mente não é mais necessária, pois o coração é Autorrefulgente. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 11)

AUTOSSUBMISSÃO É O MESMO QUE AUTOCONHECIMENTO

Devoto: Como pode a mente rebelde tornar-se calma e tranquila? Bhagavan: Ou pesquisando a sua fonte, até que ela (a mente) desapareça, ou submetendo-se ao Mestre, de tal maneira que ela possa ser aniquilada. Autossubmissão é o mesmo que Autoconhecimento, e qualquer um dos métodos implica necessariamente, em autocontrole. O ego somente se submete quando reconhece o Poder Supremo. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 13)

O EGO É A FONTE DE TODA A INFELICIDADE

Bhagavan: A causa de sua miséria não está na sua vida – está em você como ego. Você impõe limitações a si mesmo, e depois faz um vão esforço para superá-las. Toda infelicidade deve-se ao ego; dele vem todos os seus problemas. De que vale atribuir aos acontecimentos da vida a causa da miséria que está realmente dentro de você? Que felicidade pode você obter de coisas estranhas a você próprio? Quando você as obtiver, quanto tempo irá durar? Se você negar o ego, e exterminá-lo, ignorando-o, estará livre. Se você aceitá-lo, ele imporá limitações a você, e o arremessará num inútil esforço para transcendê-las. SER o EU que você é realmente é o único meio de realizar a Benção, que é sempre sua. (Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 28)

O MUNDO NADA MAIS É QUE A MENTE

Questões sobre a realidade do mundo e sobre a existência da dor ou do mal do mundo cessarão quando você indagar “Quem sou eu?” e encontrar aquele que vê. Sem o vidente, o mundo e o mal alegado não existirão. O mundo surge a partir da forma das cinco categorias de objetos dos sentidos e de nada mais. Estes cinco tipos de objetos são captados pelos cinco sentidos. Como todos eles são percebidos pela mente através desses cinco sentidos, conclui-se que o mundo nada mais é que a mente. Por acaso existe mundo independente da mente? Se a mente, que é a fonte de todo “conhecimento e atividade” desaparecer, a visão do mundo também desaparecerá. Aquilo que realmente existe é apenas Eu (Divino). O mundo, o eu individual ou ego (jiva) e o Deus pessoal (Iswara) são criações mentais. Todas elas aparecem simultaneamente e desaparecem da mesma forma. O Eu (Divino) inclui tudo: o mundo, o ego e o Deus pessoal. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p. 5) A MENTE Bhagavan certa vez apontou para sua toalha e disse: “Chamamos isso toalha branca, mas a toalha e sua brancura não podem ser coisas separadas; o mesmo se observa entre a iluminação e a mente que se unem para formar o ego. Outra ilustração pode ser feita com o ferro incandescente o qual é comparado a mente. O fogo se identifica com o ferro e este fica rubro e quente. Ele incandesce e pode queimar muitas coisas tal como o fogo faz, mas apesar disso mantém um formato definido, o eu não se vê no fogo. Se o malharmos será o ferro que receberá a pancada, não o fogo. O ferro incandescente é o ego (jivatman) e o fogo propriamente dito é o Eu (Divino) ou Paramatman. A mente nada pode fazer sozinha. (Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.6) O QUE É MEDITAÇÃO? Bhagavan: Meditação é Brahman. Diz-se que para libertar-se dos males que são criados pela mente, alguma prática religiosa deve ser adotada, e com base nisso, a meditação deve ser praticada. Conforme você continua praticando os males desaparecerão. E, depois que eles desaparecem, a própria meditação se torna estável como Brahman. (Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.85)

PERTURBAÇÃO DURANTE A MEDITAÇÃO

Devoto: Suponhamos que haja perturbação durante a meditação, tal como picadas de mosquito. Deveremos persistir na meditação e procurar ignorar a interrupção, tentando suportar as picadas, ou espantar os mosquitos e, então, continuar meditando? Bhagavan: Você deve fazer o que achar mais conveniente. Você, não atingirá a libertação simplesmente por abster-se de espantar os mosquitos nem lhe será negada a libertação simplesmente porque os espantou. O caso é obter o unidirecionamento e, então, atingir mano nasa. Quer você faça isso suportando as picadas de mosquito ou espantando-os, só depende de você. Se estiver completamente absorto na meditação, não perceberá que os mosquitos o estão picando. Enquanto você não atinge tal estado, por que não espantar os mosquitos? (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.7)

RENÚNICIA

Devoto: Nas fases iniciais (do caminho espiritual) não será de auxílio para o homem buscar a solidão e abandonar seus deveres na vida? Bhagavan: A renúncia está sempre na mente, não em ir para as florestas ou lugares solitários ou abandonar os próprios deveres. A meta principal é fazer com que a mente não se volte para o exterior, e sim para o interior. Na verdade, não depende do homem se ele vai para este ou aquele lugar ou se ele abandona seus deveres ou não. Tudo isso acontece de acordo com o destino. Todas as atividades que o corpo tenha que desempenhar são determinadas quando ele vem a essa existência. Não depende de você aceitá-las ou rejeitá-las. A única liberdade que se tem é a de voltar sua mente para o interior e renunciar às atividades. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.16)

VIVER SEM EGO

Um devoto perguntou a Ramana: “O que acontece quando o ego fenece como uma vela que se apaga?” A resposta de Ramana foi bastante tranqüilizadora: “É apenas então que a porta da Bem-aventurança sem limites se abre”. É necessário o máximo de coragem para dar o mergulho. E por que este medo tão profundamente arraigado? Para aquele que transcendeu o ego não há compulsão de desejo, ambições a serem cumpridas e nem metas a serem alcançadas. Entretanto, age com um entusiasmo que é ao mesmo tempo exemplar e contagiante. Mas tal ação é sem esforço, já que nele o sentimento de ser o fazedor da ação foi totalmente eliminado. Suas ações são ações de Deus. Por isso, assim Ramana orou a Arunachala: “Ordenai que meu fardo seja vosso e não mais meu, para que seja uma tarefa do Senhor, o Grande Mantenedor!” O ego é um obstáculo à Autoinvestigação e, por isto, deve ser “desenraizado”. Este o motivo pelo qual Bhagavan dizia que a Autorrealização não é algo novo a ser obtido mas um estado já existente — a ser revelado. Ele o comparava a um céu nublado — o céu claro não tem de ser criado, basta apenas que as nuvens que o encobrem sejam afastadas. (Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.33)

INTUIÇÃO E INTELECTO

Devoto: É somente pelo desenvolvimento do intelecto que a intuição pode ser obtida? Na verdade, a perfeição do intelecto é a intuição, não é assim? Bhagavan: Como pode ser isso? O mergulho do intelecto na fonte de onde surgiu dá lugar à intuição, como você diz. O intelecto somente é usado para ver as coisas externas, o mundo exterior. A perfeição do intelecto conduz apenas à boa visão do mundo exterior. Mas o intelecto não é usado para se ver o interior, para voltar-se para o SER. Para isso, ele terá de ser extinto ou morto ou, em outras palavras, ele deve mergulhar na Fonte de onde despertou. (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)

NÃO SÃO OS OLHOS QUE VEEM

Devoto: Fechar os olhos durante a meditação é eficiente? Bhagavan afirmou: “Os olhos podem estar fechados ou abertos, como acharmos melhor. Não são os olhos que veem. Há Um que vê através dos olhos. Se nós nos voltarmos para o interior e não olharmos através dos olhos, estes podem estar abertos e, ainda assim, nada será visto. Se conservarmos os olhos fechados, não nos importará se as janelas deste quarto estiverem abertas ou fechadas.” (Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)