O Ensinamento

Ramana - A Luz no Caminho

À noite, quando um avião precisa aterrissar, ambos os lados da pista de pouso são demarcados com luzes. Assim, não há perigo do avião chocar-se com algum obstáculo; não há perigo dele desviar-se do local de pouso.

Podemos comparar estas luzes ao Mestre. Ele guia Seus devotos, Seus discípulos, com total firmeza, para que – não apenas eles não se afastem do caminho da Realidade, como também para que tenham condições de superar quaisquer obstáculos.

Bhagavan Sri Ramana Maharshi assumiu a humana forma para dissipar as trevas de nossas ilusões e nos salvar das garras do destino.

Esta colina de AMOR a qual denominamos Ramana mostrou-nos uma senda até então reservada aos mais “puros”, o caminho do Autoconhecimento através da pergunta “Quem sou eu?”. Sua vida diária de simplicidade, espontaneidade e perfeição era somente um reflexo exterior da glória interior.

Sri Bhagavan identificava-se com os mais humildes, e jamais aceitou nenhum privilégio. Ele veio para nos mostrar que nada somos além do Puro SER. São palavras de Ramana: “O Guru é aquele que, em qualquer ocasião, habita nas profundezas do SER, não vendo, nunca, qualquer diferença entre Ele próprio e os “outros”... Ele jamais se perturba”.

O Maharshi foi Ele mesmo o Caminho Iluminado, a Verdade expressa a cada minuto de Seu cotidiano a nos mostrar como alcançar a PAZ e a FELICIDADE. “Se vos lembrardes de Bhagavan, Bhagavan se lembrará de vós. Mesmo que vos aparteis de Bhagavan, Bhagavan jamais vos largará!” Afirmou o Mestre.

Você encontrará aqui algumas passagens da vida de Ramana que esperamos sirvam como uma “isca”, uma pequena amostra de um “Alimento” tão saboroso que nos sintamos impelidos a procurar mais e mais...

OM NAMO BHAGAVATE SRI RAMANAYA

 

Upadesa Saram - A Essência da Instrução Espiritual

Existe na Índia uma velha lenda a respeito de um grupo de Rixis (vide glossário no final) que durante certo tempo viveram juntos num bosque, praticando rituais através dos quais adquiriram poderes sobrenaturais. Com base nesses poderes, pretendiam atingir a libertação espiritual. Na realidade, estavam equivocados, pois a ação (rituais) só pode dar como resultado a própria ação e não a sua cessação; os ritos podem despertar poderes, mas não a paz da libertação espiritual que se acha além dos ritos, poderes a todas as formas de atividade. O Deus Shiva ao perceber sua intenção resolveu convencê-los do erro em que incorriam e, para tanto, manifestou-se diante deles sob a forma de um Sadhu Errante (vide glossário). Juntamente com ele apareceu o Deus Vishnu sob a aparência de uma formosa dama. De pronto os Rixis apaixonaram-se pela moça, o que alterou seu equilíbrio, afetando de modo adverso seus ritos e poderes. Além disso, todas as suas esposas que com eles viviam na floresta se enamoraram do estranho Sadhu. Irritados com o fato, os Rixis, mediante ritos mágicos, conjuraram um elefante e um tigre, enviando-os contra o Sadhu. Este, entretanto, matou-os com facilidade e a seguir usou a pele do elefante como vestimenta e a do tigre como manto. Compreenderam os Rixis que se achavam diante de alguém mais poderoso que eles e assim curvaram-se reverentemente, pedindo-lhe para que os instruísse. Assim, Shiva sob a forma de um Sadhu explicou-lhes que não é mediante a ação e sim pela renúncia a ação que se alcança a libertação.

 

 

O poeta Muraganar estava escrevendo esta fábula em verso Tamil, mas ao chegar no ponto da instrução dada por Shiva aos Rixis, sentiu-se incapaz de fazê-lo e pediu a Bhagavan, que era Shiva encarnado, para que escrevesse por ele. Atendendo a Muraganar, Bhagavan compôs trinta versos em Tamil expondo a instrução. Este poema é conhecido como Upadesa-Vundiyar. Sri Ramana mais tarde traduziu-o para o sânscrito, Telegu e Malayalam, com o título de Upadesa-saram.

 

Nos trinta versos que constituem a Upadesa Saram, Sri Ramana dá a quinta essência da Vedanta. O valor extraordinário deste ensinamento é que ele não é o resultado formal do estudo do texto, mas brotou da autoexperiência de Sri Ramana, proporcionando assim, uma independente e contemporânea confirmação da verdade plena da Vedanta.

 

Estes versos eram cantados diariamente perante Bhagavan Sri Ramana Maharshi, juntamente com os Vedas, e, continuam a ser cantados diariamente perante seu túmulo. Portanto, são tratados como uma Santa Escritura. Referem-se às várias sendas da liberação, graduando-as em ordem de eficiência e excelência, e mostrando que a melhor é a autoinvestigação. Começa com a crítica da falsa visão do karma, o reflexo do curso das ações passadas, como sendo tudo, não havendo necessidade de postular a divindade atrás da cena.

Foram traduzidos para o inglês por Narasimha Swami, e do inglês para o português pelo Grupo Arunachala do Rio de Janeiro. Nós aqui os transcrevemos por ser a própria essência da instrução do Mestre.

 

1 - A ação (karma) produz frutos, pois assim ordena o Criador mas, é Deus? Não pode ser: pois não é sensível.

Nota: Maharshi usa a palavra karma apenas para significar atos determinados, sancionados ou proibidos pelas escrituras. A doutrina do karma é usada na filosofia hindu para explicar as desigualdades encontradas na sociedade e o espetáculo comum e estranho do homem bom sofrendo dores e tristezas, aparentemente inexplicáveis, enquanto os maus gozam prazeres e felicidade, aparentemente imerecidas. Dentro de limites definidos, serve a doutrina do karma, mas a tentativa de limitar a onipotência de Deus e de apresentar o karma como sendo superior a Deus não é válida. O Maharshi censura essa ilusão: “Karma é um dos estados ou atributos da criatura de Deus, e, consequentemente, karma é criado por Deus. É, pois, ridículo atribuir superioridade da criação em relação ao Criador.”

2 - Os resultados do karma passam, mas deixam sementes que lançam o agente num oceano de ação. A ação, portanto, não oferece libertação.

Nota: Nossos atos e atitudes tornam-se hábitos que prendem o agente com grilhões de ferro. Os atos nascidos do desejo tendem a perpetuar-se não apenas de dia para dia e ano para ano, mas também de vida para vida, pois o balanço de seus frutos, deixando sempre saldo, permanece na morte do corpo físico e nos força a tomar novo nascimento.

3 - Mas os atos executados sem apego e com espírito de serviço a Deus, limpam a mente e apontam o caminho para a libertação.

Nota: No homem estão profundamente arraigados os desejos e tendências para buscar suas recompensas. Por ambas as razões, a atividade e o amor ou o desejo de alguma coisa são inevitáveis, o aspirante deve voltar seu amor para Deus, servindo-O tanto diretamente como através de suas criaturas. O efeito de tal atividade será o da diminuição gradual e finalmente o desaparecimento do egoísmo, conduzindo-nos para Deus.

4 - Isso é certo. “Puja”, “Japa” e “Dhyana” são executados principalmente com o corpo, com a voz e com a mente e sobrepujam-se entre si na ordem acima.

Nota: “Puja” - cerimonial de adoração acompanhado de atividade.

Japa” - repetição do nome de Deus ou de mantras sagrados.

Dhyana” - meditação.

5 - Este universo óctuplo pode considerar-se como manifestação de Deus e qualquer culto que nele se cumpra é excelente como adoração a Ele.

Nota: Óctuplo porque está composto pelos cinco elementos mais o sol, a lua e o ser individual. Os devotos fervorosos pensam, e devem pensar, ao executarem tal adoração, que Deus é imponente em todo o universo e em cada parte deste. Para que a adoração seja real, de forma a alcançar Deus, deve haver o sentimento da presença de Deus. A concentração intensa ou absorção assimila e faz a fusão, isto é, mergulha os dois num só. E o objetivo da adoração é mergulhar na Bem-Aventurança única.

6 - A repetição, em voz alta, de Seu Nome ou Mantra é melhor do que o louvor. A seguir vem a pronúncia sussurrada. Melhor ainda é a repetição dentro da mente – e isso é a meditação acima referida.

Nota: A repetição do Seu nome ou mantra auxilia mais a concentração do que prestar louvores. A medida que a concentração aumenta, a voz, gradualmente, mergulha no interior e o silêncio predomina.

7 - Melhor do que a interrupção do pensamento (meditação) é o seu fluxo contínuo, como o fluir do óleo ou da corrente contínua.

8 - A atitude mais elevada “Eu sou Ele” é preferível à atitude “ele é o ego”.

Nota: O som sânscrito que significa “Eu sou Ele” é usado para denotar a unidade e identidade daquilo que é designado pela primeira pessoa Eu e pela terceira Ele. Assim, este é o mantra chave, a meditação constante que auxiliará o devoto a identificar-se com a alma universal ou Brahman.

9 - Permanecer no Ser Real, transcender todos os pensamentos, pela devoção intensa, é a própria essência da devoção suprema.

Nota: Nestes dois versos, o Maharshi mostra como começamos a devoção com o sentimento de diferença entre nós e Deus, depois perdemos a diferença pela intensidade do estado e chegamos a não-diferença. Isto é sabedoria, e é a essência da devoção mais elevada.

10 - “Absorção na fonte”, o “cerne” da existência ou “coração” é o que ensinam os caminhos do Karma (Ação), de Bhakti (Devoção), de Yoga (União) e de Jnana (Sabedoria).

Nota: A mente devocional do Bhakta (devoto) encontra em Deus a fonte exata de si mesma e de todos e esforça-se para ser absorvida completamente n’Ele. O Jnani executa a investigação da fonte e da natureza em si mesmo e de todas as outras coisas do universo. E, chegando ao Supremo, busca realizar-se perdendo sua individualidade n’Aquele. O yogui volta-se para o sadhana (exercício), que capacita a mente a alcançar a firmeza e absorção em Atman – Brahman. O partidário do caminho do karma almeja, também essa absorção e se lança a vários atos que o levam ao alvo. Todos esses caminhos prescrevem a fórmula – “Buscai e descobri a origem de vós mesmos, e sede absorvidos nela.” Este termo – “Fonte” denota a Suprema realidade, Brahman, donde surge a existência de tudo. Para esse termo Maharshi usa a palavra “Hridayam” ou seja Coração.

11 - Como os pássaros são apanhados com redes, assim ao prender a respiração, a mente é retraída e absorvida. A respiração regulada é estratagema para efetuar a absorção.

Nota: Pranayama (controle da respiração) assegura, realmente a calma temporária da mente.

12 - Pois a mente e a respiração vital (prana) expressos em pensamento e ação, divergem e se dividem, porém surgem da mesma raiz.

Nota: O aspirante não deveria contentar-se como o “pranayama” que tranquiliza a mente apenas enquanto a respiração é retida, mas deveria prosseguir até “matá-la”. E isto é conseguido pela perseverança na concentração sobre o Supremo.

13 - A absorção tem duas formas, isto é “Laya” e “Nasha”. O que é absorvido em “Laya” revive, pois “Laya” é absorção temporária; “Nasha” é permanente.

Nota: “Momonasha” isto é, literalmente, a morte da mente, não significa tornar-se insensível, e sim a perda da forma atual da mente, que é limitada com sua visão obstruída e embaraçada, que impede que seja ela percebida como o próprio Atman e força-a a identificar-se com o corpo. A perda dessa forma de mente é realmente uma aquisição, pois significa a transformação da mente finita em consciência pura, o Atman ou Brahman que tudo envolve sem nada deixar fora de si.

14 - Quando a mente for absorvida pelo refreamento da respiração então ela morrerá, isto é, sua forma perecerá, se for fixada num só ponto.

Nota: Este “ponto” é a concentração no Supremo.

15 - O grande Yogui cuja mente está extinta e que descansa em Brahman, não tem karma, pois que atingiu a sua verdadeira natureza, Brahman.

Nota: O sábio que submeteu sua vontade ao Supremo, diz “Eu” não eu, mas o “Supremo em mim”. Ele está seguro e feliz no seu íntimo, todavia, distante do corpo, perfeitamente tranquilo e imune às suas tendências e consequentes atividades – ciente de que ele não é o agente. Tal sábio é considerado como aquele que perdeu seu ego ou mente, e está isento de laços karmicos.

16 - Quando a mente se afasta dos objetos externos dos sentidos se embrenha na introspecção, e contempla Sua própria forma resplandecente, isso é a verdadeira sabedoria.

Nota: Conhecimento não deve ser confundido com sabedoria. Muita instrução é fadiga para o corpo e pode, pela distração, impedir a paz da mente. A instrução é o estudo das coisas fora de nós e o homem pode estudar o mundo todo e até ganhá-lo, mas de que serviria se ele não se conhecer a si mesmo, para poder dirigir-se. Mesmo para adquirir o conhecimento real do mundo deveremos conhecer-nos a nós mesmos. O autoconhecimento é o dever principal e o interesse do homem é a sabedoria.

17 - Quando a mente investiga incessantemente sua própria natureza, descobre que não há mente. Este é o caminho direto para todos.

18 - A mente é apenas pensamentos. O pensamento “eu” é a raiz de todos os outros pensamentos. Portanto, a mente é somente o pensamento “eu”.

Nota: O pensamento “eu” é também conhecido como ego, o sentimento de nossa personalidade. “Pensamentos” significam fenômenos mentais. Quando surge um pensamento, buscai sua raiz perguntando: “A quem surgiu esse pensamento? Quem pensa isto?” A resposta é Eu a pessoa. Não há pensamento sem um pensador. Assim o pensamento-pessoa “eu” é a raiz do pensamento.

19 - Donde surge este ego? Buscai isto no vosso íntimo e esse ego desaparece. Esta é a busca da sabedoria.

Nota: A pergunta seguinte que deverá ser feita a vós mesmos é: “Quem é esse eu?” Que espécie de entidade é ele? Donde surge ele? Pela introspecção, tentai ver como e onde esse pensamento “eu” começa. O resultado é que o que aparecia anteriormente como indivíduo, o distinto “eu”, que entretinha o pensamento, desaparece, não é mais visto.

20 - Onde o ego desaparece, aparece um “Eu”. “Eu” por si mesmo. Este é o infinito.

Nota: Existirá um vácuo em nós após a perda do sentimento de personalidade individual? Não. O que resta é o Uno super sensível, que sustenta essa aparência “Eu”, e representa não apenas um indivíduo, mas todos. Daí ser designado pela expressão “Eu-Eu”, que denota o mergulho ou absorção do indivíduo no Universal. E isso é aniquilamento? Não.

“A gota de orvalho escorrega até o mar brilhante.”

“A pequena fagulha se reúne à chama eterna.”

21 - Este é o verdadeiro valor do termo “Eu”. Pois não cessamos de existir nem no sono profundo, no qual não há “eu” desperto.

Nota: Os Upanishads afirmam que o estado de sono profundo está ainda muito próximo da ignorância – embora esse estado seja o de maior felicidade entre os três (os três estados são o de vigília, o de sono, com sonhos e o sono profundo – sem sonhos) e esteja mais próximo da autorrealização. Na autorrealização tudo é consciência pura, e a ignorância não pode deter-se ali. Maharshi assim resume tal assertiva: “A realidade está oculta atrás do ‘Eu’, isto é, dos três estados, e este ‘Eu’ de consciência pura é perfeito”.

22 - Mente, sentidos, corpo, a respiração vital (prana) e a ignorância, são todos insensíveis e não são o Real. Eu sou o Real. Eu não sou esses envoltórios.

Nota: Se sinto que sou e que sou consciente, o “Eu” não pode ser ignorância ou algo obscuro. Quem sou eu então? Eu sou o que fica depois de serem removidos todos esses envoltórios. Eu sou aquilo que É Sat (Ser, Existência), Eu sou aquilo que é o consciente, Chit (Consciência). Eu sou além de todos os prazeres ou dores, Eu sou Ananda (felicidade).

23 - Como não há um segundo Ser que conheça Isso que existe, “Isso que existe” é consciente. Nós somos Isso.

24 - Criaturas e criador existem. São um no Ser. A diferença está no grau de conhecimento (consciência) e de outros atributos.

25 - Quando a criatura se vê sem atributos, isso é conhecimento do Criador, pois o Criador aparece como idêntico ao Eu.

26 - Conhecer o Eu é ser o Eu, pois não há dois Eu separados. Esse estado é “Thanmaya Nishta” (viver como o Ser).

Nota: “Thanmaya Nishta!” Significa literalmente “Viver como Aquele” isto é, Brahman ou o Ser Real.

27 - Esse é o “Conhecimento” real e transcende tanto conhecimento como ignorância. Lá não existe objeto para ser conhecido.

Nota: No estado de realização a unidade prevalece. A ideia “eu sou isto” ou “sou ignorante disto” não pode entrar ali. Não há segunda pessoa para conhecer essa realização.

28 - Quando se conhece a nossa verdadeira natureza então existe o Ser sem começo nem fim. Esta é a ininterrupta Consciência – Bem-aventurança.

Nota: Nesse estado não há diferenças e daí não haver começo nem fim. O que é realizado então pode ser descrito como existência (Sat), consciência (Chit), felicidade (Ananda).

29 – Permanecer nesse estado de Bem-aventurança suprema e deixar para trás todos os pensamentos que causam escravidão ou libertação é viver a serviço do Supremo.

Nota: Qualquer adoração ou serviço, daí em diante, será sem ego, pois a vontade é absorvida em Deus ou Brahman.

30 – A realização D’Aquele que subsiste quando todos os traços do ego desaparecerem, é bom “tapas”. Assim canta Ramana, o Eu de todos.

Nota: Para o observador superficial o “Jnani” (sábio) pode não parecer um “Tapasvi” (aquele que pratica “tapas” – penitência, disciplinas), mas o fato é que ele é o maior, pois seus “tapas”, sendo a percepção espontânea do Ser, é constante, independente do menor traço de esforço. O processo de nos afastarmos do ego envolve o sacrifício de tudo.

 

Glossário

BRAHMAN - A divindade (Deus). Apresenta-se sob duplo aspecto Brahman-Nir-Guna, isto é, Deus sem atributos, impessoal (O Absoluto Ser) e Brahman-Saguna, isto é, Deus com atributos ou Deus como pessoa sagrada (O Pai).

SADHU – Asceta que renuncia ao mundo em busca da libertação espiritual.

RIXI – Nome dado a indivíduos que atingiram a realização espiritual. Na lenda em questão os rixis não eram verdadeiros rixis, pois não haviam alcançado o nível espiritual que fizesse jus ao nome.

SHIVA – Aspecto destruidor da Trindade Hindu. Na verdade o aspecto do Divino que destrói a ilusão (Maya) do ser que se identifica com o seu ego.

VISHNU – Aspecto conservador da aludida trindade, na mitologia Hindu.

 

Quem sou eu? (Autoinvestigação e Autorrealização)

Aquiete-se, não pense e saiba que Eu Sou!

Devoto: Qual caminho o Senhor nos aconselha a tomar? Necessitamos da sua Graça.
Bhagavan: Aquiete-se, não pense e saiba que EU SOU.

(Do livro A Imortalidade Consciente, Paul Brunton, traduzido por Zofia Gaffon, p.27)

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Quem Sou Eu? Indague!

A mente desaparecerá somente através da autoinvestigação: “Quem sou eu?” O pensamento “Quem sou eu?” destruirá todos os outros pensamentos e, finalmente, destruirá a ele próprio também. Se aparecerem outros pensamentos a pessoa deve indagar a quem esses pensamentos surgiram, antes mesmo que sejam completados.

Que importa quantos pensamentos surgem? A cada pensamento que apareça a pessoa deve permanecer alerta e indagar “Quem sou eu?” a mente voltará a sua fonte de onde surgiu. Conforme você pratique cada vez mais como se indicou acima, o poder da mente de permanecer em sua fonte aumentará. Embora apegos sensoriais sob a forma de vasanas (tendências oriundas de encarnações passadas) possam surgir, inumeráveis como as ondas do mar, serão destruídas à medida que a meditação progrida.

Sem dar guarida a qualquer dúvida de que seja possível erradicar todas essas vasanas e perceber-se como o próprio Eu (Divino), a pessoa deve praticar a meditação dirigida ao Eu, de modo ininterrupto. Ainda que seja um grande pecador, ao invés de lamentar-se pensando “eu sou um grande pecador, como posso obter progresso espiritual?”, a pessoa deverá esquecer o fato de que é um pecador e, fervorosamente, prosseguir a meditação no Eu.

Ele certamente será bem sucedido. Controlando a fala e a respiração e, mergulhando profundamente no interior de si mesmo, tal qual um homem que mergulha na água a fim de reaver algo que nela caiu, a pessoa deve encontrar a fonte da qual o ego surge por meio de uma penetrante introspecção.

(Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol.1,, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.7)

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Quem foi ofendido?

A Autoinvestigação tem enorme potência na atividade diária. Se você se sente ofendido ou magoado, e se ressente disso, deve perguntar: “Quem foi ofendido? Quem foi magoado? Quem está ressentido? Eu?... Mas, quem sou eu? Porque na verdade, e temos que nos acostumar com a ideia – eu não sou este ego que se ressente, que se frustra, que se magoa, que se apega, e que diz – eu quero, eu posso, eu faço. Isto leva, paulatinamente, à desvalorização do ego.

Quando dizemos, a respeito de alguém, “Fulano tem uma personalidade forte”, queremos dizer que ele é alguém que não leva desaforo para casa, que se altera com facilidade, que se impõe diante de todos, não é? E por que não se impor pela força de sua tranquilidade? Porque ser tranquilo não significa ser covarde, muito ao contrário, é preciso ser extremamente corajoso para enfrentar a vida com naturalidade e tranquilidade.

Não há resposta para a pergunta Quem sou eu? Qualquer resposta seria um estímulo mental e o que se deseja é transcender a mente, é alcançar aquele estado de consciência que transcende tanto o plano físico quanto o mental. Na verdade, a melhor resposta é a mudança que vai se operando em nós, a modificação de nossa atitude a respeito dos acontecimentos, das pessoas, das preocupações.

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Autossubmissão é o mesmo que autoconhecimento

Devoto: Como pode a mente rebelde tornar-se calma e tranquila?

Bhagavan: Ou pesquisando a sua fonte, até que ela (a mente) desapareça, ou submetendo-se ao Mestre, de tal maneira que ela possa ser aniquilada. Autossubmissão é o mesmo que Autoconhecimento, e qualquer um dos métodos implica necessariamente, em autocontrole. O ego somente se submete quando reconhece o Poder Supremo.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 13)

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Autoinvestigação

Bhagavan: Qualquer que seja a forma que a sua autoindagação possa tomar, você precisa chegar finalmente ao único eu, o EU verdadeiro. Todas essas distinções feitas entre o “eu” e “você”, Mestre e discípulo, etc, são simplesmente um sinal de ignorância. Somente o EU supremo É. Pensar de outra maneira é iludir-se.

A Autoinvestigação não é certamente uma fórmula vazia: é mais do que a repetição de qualquer mantra. Se a pergunta “Quem sou eu?” fosse uma simples pergunta mental ela não teria muito valor. O verdadeiro objetivo da Autoinvestigação é prender a mente na sua Fonte. Não é, entretanto, o caso de um “eu” procurando por outro “EU”. A Autoinvestigação envolve uma intensa atividade de toda a mente, para conservá-la firmemente fixada no puro conhecimento do “EU” (Consciência Pura).

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 26 e 27)

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Qualquer dia é propício

“Para a prática da Autoinvestigação, qualquer dia é propício, qualquer momento é bom... não se prescreve nada de especial; qualquer hora, em qualquer lugar deve-se executá-la. Muitas práticas exigem objetos externos e ambiente apropriado, mas na Autoinvestigação nada há a exteriorizar; ao contrário, basta voltar a mente para o interior. Essenciais são a perseverança e a mente voltada para o SER no Coração.”

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.96)

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O caminho é permanecer no coração espiritual

 “E agora Ele veio para dissipar as trevas do mero raciocínio, fornecendo um vivo exemplo de permanência em Brahaman (Puro SER)”. (Sri Ramana Gita, Canto 18 – Verso 20)
Bhagavan Ramana demonstrou, através de Seu austero modo de viver, que o mais alto estado de Brahman era nada mais que o “EU-EU” em cada um de nós. O ideal mais elevado, sentido como “reservado” para os mais puros na realização espiritual, foi, desse modo, trazido para imediato alcance dos mais humildes! Como experimentar este “EU-EU, a Verdade última? Bhagavan disse que o caminho era permanecer no Coração (espiritual). E mostrou, também, a maneira: o caminho para o Coração – “Quem sou eu?”, quer dizer, a Autoinvestigação. Ele sempre viveu este estado de Puro “EU-EU”. Sua vida diária de simplicidade, espontaneidade e perfeição era somente um reflexo exterior da glória interior.

(Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.27)

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Hridayam

Assim como há um centro cósmico de onde o Universo surge, tem seu ser e funciona com a força e a energia que daí emana, do mesmo modo há um centro dentro da estrutura do corpo físico no qual temos o nosso Ser. Esse centro em nós não é diferente do centro cósmico e se chama HRIDAYAM, a sede da Pura Consciência, percebida como Existência-Consciência Bem-Aventurança. É a isso que chamamos a sede de Deus em nós. É distinto do coração físico; tem sua existência no lado direito do peito e geralmente não é percebido por nós. O primeiro pensamento que surge em nós como “eu”, quando seguido até sua fonte, finda em algum lugar em nós, e esse lugar onde todos os pensamentos morrem, onde o ego se desvanece, é o Hridayam. Nesse Centro é sentida e desfrutada a Pura Consciência.


A palavra HRIDAYAM é composta de Hrid e AYAM — Eu Sou o Coração. É o centro que alcançamos como resultado da meditação. Do Hridayam a Consciência se eleva para o chakra coronário e se espalha para todas as partes do corpo.


Se, através da Vichara, alcançamos esse Centro, o Hridayam, e assim somos nosso EU REAL, desfrutamos de Imaculada Bem-Aventurança.

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.37)

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Todos os métodos são igualmente bons

Quando indagamos em nosso interior “Quem sou eu?” o “eu” a que nos referimos é o ego. É este ego quem pratica Vichara (Autoinvestigação). O Eu (Divino) não tem vichara. Aquele que faz a autoindagação também é o ego. Como resultado da indagação o ego cessa de existir e percebemos que somente o “Eu” (Divino) existe. Qual o melhor meio de matar o ego?  Para cada pessoa será aquele que lhe seja mais fácil ou que a atraia mais. Todos os métodos são bons, todos os métodos são igualmente bons, pois levam ao objetivo, que é a submersão do ego no Eu. O que o bhakta (devoto) chama de submissão ao Divino, o homem que pratica a vichara chama de Jnana (sabedoria). Ambos estão tentando levar o ego de volta a fonte de onde ele surgiu e fazê-lo mergulhar lá. Pedir a mente que mate a si mesma é como pretender que o ladrão aja como o policial. Assim você deve introverter-se e verificar de onde a mente brota e, desse modo, esta cessará de existir

A respiração e a mente originam-se de uma mesma fonte; quando uma é controlada a outra também o será

(Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol.1, , A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.7)

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Bhagavan dê-me um método mais fácil

Devota: Não sou versada nas Escrituras e acho o método da Autoinvestigação muito difícil para mim. Sou mãe de sete filhos, tenho muitos afazeres domésticos, o que me deixa pouco tempo para meditação. Peço a Bhagavan que me dê um método mais fácil e simples?

Bhagavan: Nenhum conhecimento das escrituras é necessário para conhecer o SER, assim como nenhum homem precisa de um espelho para ver a sim mesmo. Todo o conhecimento é adquirido somente abandonando o não SER. Tampouco os afazeres domésticos e os cuidados com as crianças são obstáculos para isso. Se você nada mais pode fazer, continue dizendo “Eu”, “Eu” a você mesma, mentalmente, todo o tempo, conforme aconselhado no “Quem sou eu?”, seja qual for o trabalho que esteja fazendo, esteja sentada, em pé ou andando. “Eu” é o nome de Deus. É o primeiro e o maior de todos os mantras. Mesmo o OM é o segundo diante dele.

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.27)

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Pode um homem casado realizar o ser

Devoto: Qual a mais alta meta da experiência espiritual para o homem?

Bhagavan: A Autorrealização.

Devoto: Pode um homem casado realizar o SER?  Bhagavan: Certamente.  Casado ou solteiro, um homem pode realizar o SER, porque este já está aqui e agora. Se o SER não fosse atingível com algum esforço, em algum tempo; se Ele fosse algo novo e tivesse que ser adquirido, não seria digno de busca, porque o que não é natural, não é permanente, tão pouco. Mas o que eu digo é que o SER está aqui e agora.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 4)

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O verdadeiro nome do homem é libertação

“Ele é...O elixir dos Vedas, brilhante, com vários argumentos engenhosos; Ele esclarece os ensinamentos do Vedanta”. (Sri Ramana Gita, Canto 18 – Verso 16)

“O verdadeiro nome do homem é libertação”, disse Bhagavan. Esta – a mais alta revelação, amplamente abordada nos Vedas e Upanishads. Ele trouxe consigo o alcance mais simples para compreensão do homem vivendo na sua própria Verdade. Bhagavan era a personificação da Verdade. Em Seus versos “ATMA VYDYA”, Ele enfatizou que o Autoconhecimento (Atma- Vydya) é muito fácil de se obter.

Um devoto perguntou: “Porque se diz que o Autoconhecimento é o mais fácil?  Bhagavan respondeu: “Qualquer outro Conhecimento requer um conhecedor,  o conhecimento, e o objeto a ser conhecido, enquanto que o Autoconhecimento não requer nenhum deles. É o SER. Pode alguma coisa ser tão óbvia quanto esta?  Por isso é a mais fácil. Tudo que você tem que fazer é perguntar QUEM SOU EU?”

(Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.24)

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Como ver todas as coisas em nosso próprio ser

Durante os últimos três dias, um jovem que chegou recentemente tem estado perturbando Bhagavan com um número de perguntas sem sentido. Bhagavan estava explicando tudo pacientemente com todo detalhe. Esta manhã, às nove horas, ele começou de novo, em um tom de voz que denotava desagravo: “Você diz que tudo é o nosso próprio SER?” Bhagavan respondeu:  “O que significa tudo?  Quem é você?  Se me disser quem você é, então poderemos pensar em tudo. Você tem estado perguntando tantas coisas nestes últimos dias, mas ainda não respondeu a minha pergunta sobre quem você é. Primeiro diga-me quem você é, depois pergunte sobre tudo. Então eu responderei. Se apenas tentasse descobrir quem você é, essas questões não surgiriam. Se não tenta isso e continua pensando o que perguntar a seguir, isso continuará como um fluxo interminável. Não há limite para isso. Só haverá PAZ mental praticando a autoinvestigação e descobrindo a verdade; se ao invés disso ficamos perguntando sobre isso ou aquilo, de que adianta?  Tudo isso é esforço desperdiçado.”

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p. 42)

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O Mestre e sua Graça

O mestre e sua graça

Devoto: O que é a Graça do Guru (Guru-Kripa)? Como pode ela ajudar a Autorrealização?

Bhagavan: O Mestre é o SER... Algumas vezes um homem torna-se insatisfeito com sua vida e, descontente com o que tem, busca satisfação dos desejos através de orações a Deus, etc. Sua mente é gradativamente purificada até que ele deseje, ardentemente, conhecer Deus, mais para obter Sua Graça do que para satisfazer desejos mundanos. Então, a Graça de Deus começa a manifestar-se – Deus toma a forma de um Guru (Mestre) e aparece ao devoto, ensina a ele a verdade e, além disso, purifica sua mente pela associação com o Guru. A mente do devoto ganha forças e torna-se, então, capaz de voltar-se para dentro. Pela meditação ela é intensamente purificada e se conserva quieta, sem nenhum murmúrio. Esta calma expansão é o SER. O Guru é, ao mesmo tempo interno e externo. Do “exterior” Ele dá um empurrão na mente para introversão; do interior Ele puxa a mente do devoto em direção ao SER e o ajuda a silenciá-la. Isto é a Graça do Guru (Guru-Kripa). Não há diferença entre Deus, Guru e o SER.

Devoto: Como posso obter a Graça?

Bhagavan: A Graça é o SER. Isto também não precisa ser adquirido: você precisa apenas saber que é assim. O Sol é somente claridade. A escuridão desaparece à aproximação do Sol. Assim, também a ignorância dos devotos, como o fantasma da escuridão, desaparece sob o olhar do Guru. Você está cercado pela luz do Sol, contudo, se quiser vê-lo, você precisa virar-se em sua direção e olhar para ele. Assim também a Graça do Guru é encontrada pela aproximação apropriada, embora a Graça esteja sempre presente.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I e II), Sri Ramanasraman, p. 21)

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Tattvamasi (tu és isso)

Agora o Mestre fala: “As pessoas pensam que o Mestre está confinado à forma humana, mas não é assim; sua presença e existência são universais, cósmicas, porque Ele é o Guru Verdadeiro (Sat Guru) e a Verdade (Sat) como tal não é uma entidade a ser descoberta. Ele esteve sempre com você, mesmo enquanto você estava suportando todas as aflições da existência. De fato, Eu sou o Eu em você; você e eu nunca estivemos separados e nunca poderemos estar. Mas você, com seu eu separado e os exclusivos e conflitantes interesses dele, não pode conhecer-Me, muito menos sentir-Me. Agora que aquele eu em você se desprendeu, somente Eu vivo em você. Isto é o significado de Tattvamasi (Tu és Isso) e isto é o significado da Graça do Guru.”

(Do livro Aos Pés De Bhagavan, T. K. Sundaresa Iyer, p.10)

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Força divina

Bhagavan: Antes de perceber que não há diferença entre nós e Deus, primeiro devemos descartar todos esses atributos irreais que realmente não são nossos. Não podemos perceber a verdade a menos que todas estas “qualidades” sejam descartadas. Há uma força Divina que é a fonte de todas as coisas. Todas estas outras “qualidades” não podem ser descartadas a menos que nos agarremos a essa força. A prática espiritual (Shadana) é necessária para agarrar-se a essa força.

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.83)

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A excelência da giri pradakshina

Bhagavan: A excelência da Giri Pradakshina (caminhada ao redor da colina) foi descrita extensamente em Arunachala Purana. O Senhor Nadikesa fez a Sadasiva uma pergunta semelhante e Sadasiva falou o seguinte: andar em volta desta colina é bom. A palavra Pradakshina tem um significado típico. Pra representa a remoção de toda espécie de pecados; Da representa a realização dos desejos; Kshi representa a libertação dos nascimentos futuros; Na significa libertação através do Conhecimento.

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Veja, p.133)

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O que é upadesa (inciação)

Sri Bhagavan, definindo o que é Upadesa (iniciação), diz: “Upadesa significa mostrar um objeto distante, bem perto. Brahman (Deus), que o discípulo acredita estar distante e ser diferente dele mesmo, está próximo e não é diferente dele mesmo.”

A própria vida de Bhagavan Sri Ramana Maharshi é Upadesa. Cada ação Sua, cada movimento Seu é eterna Upadesa – o Silêncio de Ouro.

(Do livro Aos Pés De Bhagavan, T. K. Sundaresa Iyer, Prefácio)

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Ramana carrega o fardo

Ramana carrega sobre Sua cabeça, porque esse é Seu destino, o fardo de todos aqueles que se lançam a Seus pés e O Tomam como único refúgio; a Paz vem naturalmente a todos os que vivem com Ele, quaisquer que sejam os perigos que possam ameaçar Seus devotos...

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A, Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.23)

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Devoção

“A totalidade de minha devoção a ti Ó Bhagavan, não se deve à excelência de meu poder de raciocínio ou a minha maturidade espiritual, mas apenas ao brilho que você derramou sobre mim com tanta abundância.”

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.29)

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Bhagavan salve-me

O olhar de Bhagavan – pleno de Graça – é em si mesmo a Fonte da Felicidade e Alegria. Devotos de todas as partes do mundo vinham à sua presença para receber este “revelador do SER” olhar de Graça. Seu olhar dava um “antegozo de Eternidade”, instantaneamente, a mais de uma alma ansiosa.

Durante a doença de Bhagavan, grande número de devotos permanecia na fila para ter o Darshan (Benção através do olhar) de Bhagavan. A fila era tão grande que uma pessoa não podia ter mais de um segundo ou dois de Seu Darshan. Mesmo esta marcha silenciosa não acontecia sem um incidente ou outro, para mostrar quão compassivo e alerta era Bhagavan. Um devoto tímido, Mangaran, que nunca se soube ter falado com Bhagavan ou sentado no salão em qualquer outro lugar que não fosse nas últimas fileiras, encheu-se de coragem para lançar um pedaço de papel aos pés de Bhagavan, enquanto passava perto. Bhagavan pegou o papel, leu-o e pediu que a pessoa fosse trazida até Ele.

Os atendentes trouxeram-lhe diante de Bhagavan, embora ele fosse acusado de ter quebrado a disciplina, merecendo ser repreendido. Bhagavan olhou-o firmemente na face com um sorriso largo e afável e inclinou Sua cabeça em aprovação. O bilhete continha as palavras: “Bhagavan Salve-me”.

(Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.9)

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O mestre da compaixão

Sivaraman relata: “O maior momento em minha vida foi quando tive o último Darshan (Benção através do olhar) de Sri Bhagavan. Aconteceu assim. Eu estava viajando por toda a Índia com meu chefe, um capataz rigoroso. Uma carta de um amigo, Visvana, chegou repentinamente: ‘Não demore. Venha a Tiruvanamalai logo.’ (*) Corri para Arunachala e Visvana me fez entrar rapidamente na fila em que esperavam para ter o Darshan de Sri Bhagavan, o Mestre da Compaixão, derramando pura Bem-Aventurança e Graça em abundância! Visvana sussurrou meu nome ao Mestre, como se estivesse me apresentando a Sri Bhagavan. Essa Colina de Amor fez um aceno de reconhecimento quase imperceptível. O propósito de minha vida está preenchido com esse simples aceno. Eu sou reconhecido, eu sou aceito, eu estou salvo!”

(*a “morte” de Sri Bhagavan estava próxima)

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.30 e 31)

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Esquilos

Os esquilos costumavam fazer seus ninhos no teto do antigo salão. Certa vez, alguns esquilos recém-nascidos caíram lá de cima sobre o sofá de Bhagavan. Tinham os olhos ainda fechados e cada um media apenas uns poucos centímetros, eram avermelhados, de carnes frescas e muito macios. A mãe esquilo os ignorou. E agora? O que fazer? Como alimentar e cuidar de tão tenras coisinhas?

Os filhotes de esquilo estavam na palma da mão de Bhagavan. Seu rosto brilhava de amor e afeição por eles, enquanto havia uma expressão de interrogação nos rostos daqueles que estavam à Sua volta. Ele mesmo estava feliz e alegre. Pediu que trouxessem algodão. Fez uma cama macia para eles; pegou também um pouquinho de algodão e torceu-o até que a ponta ficasse como a ponta de um alfinete; molhou-o no leite e pingou o leite nas pequeninas bocas. A intervalos regulares, Bhagavan repetia esse ato de compaixão. Atendeu-os com grande cuidado e amor até que cresceram e começaram a correr por ali, em volta de sua “mãe”. Sim, as afortunadas criaturinhas cresceram com Bhagavan como “mãe”!

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.64)

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Não é suficiente?

“Um doador de bênçãos para os devotos. Mestre dos Mantras; como a árvore celestial, Ele suaviza a angústia daqueles que procuram a sombra de seus pés” (Sri Ramana Gita, Canto 18 –

Verso 15)

Bhagavan raramente saía antes de meia noite para atender ao chamado da natureza. Uma noite Ele teve que fazê-Lo devido a um problema de estômago. Um devoto que estava de pé, próximo, notou que naquele dia Bhagavan levou um tempo muito maior do que o usual. Então, no escuro, ele se aproximou de Bhagavan. Escutou um som peculiar, como “slop, slop, slop”. Bhagavan estava falando com alguém: “Basta! Basta! Você ainda não está satisfeito?”

O atendente viu Bhagavan sentado desconfortavelmente, abaixado, e um cachorro lambendo-O de alto a baixo – alegre e vigorosamente! O cachorro era magro, esquelético e estava mal-cheiroso com feridas, doente e muito feio de se olhar! Apreensivo que o atendente levasse o cão para fora, Bhagavan justificou: “Ele estava muito interessado em mostrar-Me sua afeição todos esses dias. Pobre companheiro! Ele era sempre posto para fora antes que conseguisse fazê-lo. Hoje ele me pegou no escuro. Seu intenso amor ele comunicou lambendo-me, para alegria do seu coração”.

Bhagavan levantou, com lágrimas nos olhos, deixou o cachorrinho dizendo: ”Porumada” (não é suficiente?). Posso ir agora? No dia seguinte o cachorro foi encontrado morto. Ele “morreu”? Ele foi liberto?

(Do livro Puroshottama Ramana (Ramana – O Espírito Supremo), Sri V. Ganesan, traduzido por Leila Góes, p.23)

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O mestre aceita

A Princesa Prabhavati Raji, logo depois do seu casamento, veio com seu marido para receber as bênçãos de Bhagavan. Trouxe duas bonitas grinaldas de rosas e junto com seu marido queria colocá-las em volta do pescoço de Bhagavan. Tais coisas eram estritamente proibidas. Todavia, por causa de seu intenso amor, ela insistiu em seu pedido e levou as grinaldas até Bhagavan que estava sentado no sofá. Bhagavan, enquanto recusava as grinaldas, sugeriu, “Coloque-as no santuário da Mãe”. Prabhavati ficou desapontada e, antes de partir, colocou as grinaldas sobre o sofá, ao abaixar-se para prostrar-se. Ela ergueu-se, pegou as grinaldas e saiu do salão, chorando amargamente. Passado algum tempo, Sri Kunju Swami, a modo de consolo, mostrou a ela a certa distância uma notável visão. Bhagavan estava catando, uma a uma, as pétalas que tinham caído das grinaldas sobre o sofá e, vagarosamente, as estava colocando em sua boca uma após outra! Kunju Swami disse a Princesa: “Veja! Como você é afortunada! Você ficou desapontada porque Bhagavan não aceitou as grinaldas de rosas, mas agora suas rosas serviram como Seu alimento. Isso não é uma verdadeira aceitação?” Ela ficou imensamente contente e suas lágrimas de angústia tornaram-se lágrimas de alegria!

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.6)

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Pode se chocar um ovo quebrado?

Eram as primeiras horas da manhã. Bhagavan havia tomado seu banho e agora ia para o canto mais afastado do Salão para pegar sua toalha, que estava pendurada em um bambu suspenso horizontalmente, numa das extremidades do qual uma pardoca havia construído seu ninho e posto nele 4 ovos.

No momento de pegar sua toalha, a mão de Bhagavan esbarrou no ninho que balançou violentamente fazendo com que um dos ovos caísse no chão e se quebrasse. Consternado, Bhagavan chamou seu assistente: “Olhe, olhe o que eu fiz!” Assim dizendo, Bhagavan pegou o ovo quebrado em Suas mãos, olhou-o com olhos extremamente ternos e exclamou: “A pobre mãe ficará tão triste e ferida, talvez até zangada comigo por ter causado a destruição do seu esperado pequenino! Poderá a casca quebrada ser emendada novamente? Vamos tentar!”

Assim dizendo Ele pegou um pano, molhou-o, enrolou-o em volta do ovo quebrado e recolocou-o no ninho. A cada 3 horas Ele pegava o ovo quebrado, removia o pano, colocava o ovo na palma de Sua mão e olhava para ele por vários minutos.

O que Ele realmente estaria fazendo naquele momento? Como saber? Estaria Ele enviando com aqueles maravilhosos olhares de Graça raios de energia vivificante para o ovo quebrado, colocando até mesmo novo calor e vida nele? E ele continuava dizendo: “Deixa a quebradura ser curada! Não pode ser chocado mesmo assim? Permita que o pequenino venha de dentro deste ovo quebrado!

Esta solicitude ansiosa e terna de Sri Maharshi continuou por uma semana. Assim, o ovinho permaneceu em seu ninho com seu pano-atadura molhado, sendo contemplado com o divino toque e o olhar bondoso.

Ao final da semana Ele apanhou o ovo e, com o espanto de um escolar, exclamou: “Vejam que maravilha! A rachadura se fechou e a mãe ficará feliz por poder chocar seu ovo, afinal! Meu Senhor libertou-me do pecado de causar a perda de uma vida. Vamos aguardar que o pequenino apareça!”

Poucos dias se passaram e afinal, em uma linda manhã Bhagavan descobriu que o ovo havia sido chocado e que o pequeno pássaro tinha nascido. Ele pegou o pequenino em Suas mãos, acariciou-o, afagou-o com Sua mão suave e mostrou-o a todos os presentes.

Ah!, quanto cuidado pelo significado da Criação! As lágrimas de ansiedade à quebrada casca do ovo foram substituídas pelas lágrimas de alegria pelo nascimento do pequenino. Haveria um coração de bondade mais doce do que este?”

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.94)

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Não devemos nunca tentar ser brilhantes

Apenas nossa completa submissão ao Mestre pode salvar-nos. Não devemos nunca tentar ser brilhantes, pois o brilhantismo não tem absolutamente espaço na espiritualidade. Temos de nos tornar crianças inocentes — como o recém-nascido que depende de sua mãe. O Guru nos salvará. É Sua responsabilidade. E nenhum brilho ou esforço é necessário para isso.

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.103)

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Felicidade

A única coisa que se pede é uma firme determinação

Devoto: Quando tropeçamos e caímos no caminho, que devemos fazer?

Bhagavan: Tudo dará certo no fim. Basta uma firme decisão de você por seus pés novamente no caminho, mesmo depois da queda ou quebra. Com o tempo, pouco a pouco, os obstáculos vão se enfraquecendo e suas energias se tornando mais fortes. Tudo dará certo no fim. A única coisa que se pede é uma firme determinação.

(Do livro A Imortalidade Consciente, Paul Brunton, traduzido por Zofia Gaffon, p.56)

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Felicidade

Felicidade é a natureza do Eu (Divino); ambos são a mesma coisa. A única felicidade real é a do Eu (Divino). Esta é a verdade. Não há felicidade em quaisquer objetos do mundo. Por causa da nossa ignorância imaginamos que a felicidade tem origem neles. Se como o homem geralmente imagina, sua felicidade se deve a causas externas, é razoável concluir que esta felicidade deva crescer com o aumento das posses e diminuir proporcionalmente ao seu decréscimo. Desse modo, se ele é destituído de posses sua felicidade deveria ser nula. Qual é, entretanto, a experiência real do homem? Confirmaria ele este ponto de vista? No sono profundo o homem acha-se destituído de todas as posses, inclusive seu próprio corpo. Ao contrário de infeliz ele se acha muito feliz. Todos desejam um sono profundo. A conclusão, portanto é que a felicidade é inerente ao homem e não se deve a causas exteriores. A pessoa deve realizar o Eu (Divino) de modo a abrir o reservatório da genuína felicidade. Há uma história no livro Panchadasi mostrando que nossos sofrimentos e prazeres não se devem aos fatos, mas aos nossos conceitos. Dois jovens de uma aldeia fizeram uma peregrinação ao norte da Índia. Um deles morreu, mas o outro, tendo conseguido um emprego, decidiu voltar à aldeia de origem só algum tempo depois. Neste intervalo conheceu um peregrino errante ao qual incumbiu de dar notícias suas e da morte de seu amigo ao pessoal de sua aldeia. O peregrino transmitiu as notícias e, ao fazê-lo, trocou, inadvertidamente, os nomes deles. O resultado é que os parentes e amigos do falecido ficaram contentes ao saber que tudo estava bem; enquanto que o pessoal do peregrino vivo ficou pesaroso por crer que ele havia morrido.

Não desejar é a grande Bem-Aventurança.

(Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.2)

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Bem-aventurança do ser

Bhagavan: Ananda (Bem-Aventurança) sempre existe. Apenas as coisas mundanas devem ser abandonadas. Se elas forem rejeitadas, o que permanece é apenas Bem-Aventurança. Aquilo que É, é o SER... Isso é nossa própria natureza.

Devoto: Está certo Swami. Porém, por mais que tentemos a mente não se submete ao controle e envolve o SER de modo que ele não é perceptível para nós. O que devemos fazer?

Bhagavan, com um sorriso, colocou seu dedo mínimo sobre seu olho e disse: “Veja, este dedinho cobre o olho e o impede de ver o mundo inteiro. Do mesmo modo, essa pequena mente encobre o universo inteiro e impede que Brahman seja visto. Veja quão poderosa ela (a mente) é!”

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 2, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.94)

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O ego é a fonte de toda a infelicidade

Bhagavan: A causa de sua miséria não está na sua vida – está em você como ego. Você impõe limitações a si mesmo, e depois faz um vão esforço para superá-las. Toda infelicidade deve-se ao ego; dele vem todos os seus problemas. De que vale atribuir aos acontecimentos da vida a causa da miséria que está realmente dentro de você? Que felicidade pode você obter de coisas estranhas a você próprio? Quando você as obtiver, quanto tempo irá durar? Se você negar o ego, e exterminá-lo, ignorando-o, estará livre. Se você aceitá-lo, ele imporá limitações a você, e o arremessará num inútil esforço para transcendê-las.

SER o EU que você é realmente é o único meio de realizar a Benção, que é sempre sua.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 28)

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A sua ignorância que lhes causa dor

Bhagavan: Por isso digo que você é realmente o Infinito, Puro SER, o EU Absoluto. Você é sempre este EU, e nada mais do que o EU. Por isso, você não pode ignorá-lo – a sua ignorância que lhes causa dor.

Saiba então que a verdadeira Sabedoria não cria uma nova Existência para você, ela somente remove sua ignorância. A Bem-Aventurança não é acrescentada à sua natureza, ela apenas é revelada como o seu verdadeiro Estado Natural, Eterno e Imperecível. A única forma de você se livrar da dor é “conhecer” e ser o EU. Como pode isto ser inatingível?

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramana Asram, p. 29)

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Morte

Um missionário e professor de inglês, que esteve 20 anos em Hyderabad, chegou esta manhã. Ele disse: “Perdi meu filho na guerra. Qual é o meio para sua salvação?”

Bhagavan ficou silencioso por momentos e, então, respondeu: Sua tristeza é devida ao pensamento. A ansiedade é criação da mente. Sua natureza Real é a Paz. A Paz não se obtém; é nossa natureza. Para encontrar consolo, você deve refletir: “Deus deu, Deus levou; Ele sabe melhor”. Mas o verdadeiro remédio é investigar, dentro de sua verdadeira natureza. É porque você sente que seu filho não existe mais que sente tristeza. Se você soubesse que ele ainda existe, não sentiria tristeza. Isso significa que a fonte da tristeza é mental, e não uma realidade existente. Há uma história contada em alguns livros sobre dois jovens que saíram em peregrinação e, após alguns dias, chegou a notícia de que um deles havia morrido. Contudo, a notícia deu como morto o que estava vivo, e o resultado foi que a mãe do que tinha morrido continuou tão alegre como sempre, enquanto a que já não tinha o filho chorava e lamentava sua morte. Assim, não é qualquer objeto ou condição que causa tristeza, mas apenas o nosso pensamento sobre isso. Seu filho veio do SER e foi absorvido de volta ao SER. Antes de ter nascido, onde estava ele, separado do SER? Ele é nosso SER na Realidade. No sono profundo, o pensamento de “eu”, “criança” ou “morte” não ocorre a você, e você é a mesma pessoa que existiu no sono. Se você investigar desse modo e descobrir sua natureza real, conhecerá também a natureza real de seu filho. Ele existe sempre. Somente você é que pensa que ele está perdido. Você criou um filho em sua mente e pensa que ele está perdido, mas no SER ele existe sempre.

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.14)

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Realidade, Unidade

Advaita (não dualidade)

Bhagavan: A não dualidade não significa que o homem deve sempre sentar-se em Samadhi e não se ocupar em ações. Muitas coisas são necessárias para manter a vida do corpo, e a ação não pode ser evitada. Nem a Devoção é rejeitada pela não dualidade. Sankara é considerado o maior expoente do Advaita (não dualidade) e, ainda assim, veja os inúmeros santuários que ele visitou (ação) e as canções devocionais que escreveu.

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.26)

 

Silêncio, Mente e Ego

Silêncio e solidão

Devoto: O que é Mouna?

Bhagavan: Mouna (Silêncio) é aquele estado que transcende a fala e o pensamento; é meditação sem atividade mental. Submissão da mente é meditação: a meditação profunda é uma eterna conversa. O Silêncio está sempre falando; ele é o eterno surgir da “linguagem”. As palavras interrompem esta muda “conversa”. As leituras podem distrair o indivíduo por horas sem melhorá-lo – o Silêncio, entretanto, é permanente e beneficia toda a humanidade. A Eloquência exprime-se pelo Silêncio – o Silêncio é incessante Eloquência...Ele é a melhor linguagem. Há um estado em que todas as palavras cessam e o Silêncio prevalece.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 9)

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O controle da mente

Bhagavan: O SER é o coração, Autoluminoso. A iluminação surge do coração e alcança o cérebro, que é a sede da mente. O mundo é visto com a mente – assim, você vê o mundo pela luz refletida do SER. Quando a mente é iluminada, ela está consciente do mundo; quando não, ela é inconsciente do mundo. Se introvertermos a mente em direção à Fonte de Iluminação, o conhecimento objetivo cessa , e o SER brilha sozinho, como o Coração.

A lua brilha pelo reflexo da luz do Sol. Quando o Sol se põe, a lua nos ajuda a distinguir os objetos. Quando o Sol nasce, nenhuma necessidade há da lua, embora ela esteja visível no céu. Assim é com a mente e o Coração – a mente torna-se útil pela sua luz refletida – e é usada para que possamos ver os objetos. Quando dirigida para dentro, ela mergulha na Fonte da Iluminação, que brilha por si mesma, e a mente, então, é como a lua vista durante o dia.

Quando escurece, uma lâmpada é necessária para fornecer luz. Mas quando o Sol surge, a lâmpada se torna inútil; os objetos são visíveis. E para ver o Sol, nenhuma lâmpada é necessária, basta que você vire seus olhos em direção a ele. Assim é com a mente: para ver os objetos, a luz refletida da mente é necessária. Para ver o Coração, é suficiente que a mente se volte para ele – então, a mente não é mais necessária, pois o coração é Autorrefulgente.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 11)

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O ego é a fonte de toda a infelicidade

Bhagavan: A causa de sua miséria não está na sua vida – está em você como ego. Você impõe limitações a si mesmo, e depois faz um vão esforço para superá-las. Toda infelicidade deve-se ao ego; dele vem todos os seus problemas. De que vale atribuir aos acontecimentos da vida a causa da miséria que está realmente dentro de você? Que felicidade pode você obter de coisas estranhas a você próprio? Quando você as obtiver, quanto tempo irá durar? Se você negar o ego, e exterminá-lo, ignorando-o, estará livre. Se você aceitá-lo, ele imporá limitações a você, e o arremessará num inútil esforço para transcendê-las.

SER o EU que você é realmente é o único meio de realizar a Benção, que é sempre sua.

(Do livro O Evangelho de Maharshi (livros I E II), Sri Ramanasraman, p. 28)

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O mundo nada mais é que a mente

Questões sobre a realidade do mundo e sobre a existência da dor ou do mal do mundo cessarão quando você indagar “Quem sou eu?” e encontrar aquele que vê. Sem o vidente, o mundo e o mal alegado não existirão.

O mundo surge a partir da forma das cinco categorias de objetos dos sentidos e de nada mais. Estes cinco tipos de objetos são captados pelos cinco sentidos. Como todos eles são percebidos pela mente através desses cinco sentidos, conclui-se que o mundo nada mais é que a mente. Por acaso existe mundo independente da mente?

Se a mente, que é a fonte de todo “conhecimento e atividade” desaparecer, a visão do mundo também desaparecerá.

Aquilo que realmente existe é apenas Eu (Divino). O mundo, o eu individual ou ego (jiva) e o Deus pessoal (Iswara) são criações mentais. Todas elas aparecem simultaneamente e desaparecem da mesma forma. O Eu (Divino) inclui tudo: o mundo, o ego e o Deus pessoal.

(Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p. 5)

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A mente

Bhagavan certa vez apontou para sua toalha e disse: “Chamamos isso toalha branca, mas a toalha e sua brancura não podem ser coisas separadas; o mesmo se observa entre a iluminação e a mente que se unem para formar o ego. Outra ilustração pode ser feita com o ferro incandescente o qual é comparado a mente. O fogo se identifica com o ferro e este fica rubro e quente. Ele incandesce e pode queimar muitas coisas tal como o fogo faz, mas apesar disso mantém um formato definido, o eu não se vê no fogo. Se o malharmos será o ferro que receberá a pancada, não o fogo. O ferro incandescente é o ego (jivatman) e o fogo propriamente dito é o Eu (Divino) ou Paramatman. A mente nada pode fazer sozinha.

(Do Livro Jóias De Ramana Maharshi, Vol. 1, A. Devajara Mudaliar, Traduzido por Aruna Chela, p.6)

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O que é meditação?

Bhagavan: Meditação é Brahman. Diz-se que para libertar-se dos males que são criados pela mente, alguma prática religiosa deve ser adotada, e com base nisso, a meditação deve ser praticada. Conforme você continua praticando os males desaparecerão. E, depois que eles desaparecem, a própria meditação se torna estável como Brahman.

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.85)

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Perturbação durante a meditação

Devoto: Suponhamos que haja perturbação durante a meditação, tal como picadas de mosquito. Deveremos persistir na meditação e procurar ignorar a interrupção, tentando suportar as picadas, ou espantar os mosquitos e, então, continuar meditando?

Bhagavan: Você deve fazer o que achar mais conveniente. Você, não atingirá a libertação simplesmente por abster-se de espantar os mosquitos nem lhe será negada a libertação simplesmente porque os espantou. O caso é obter o unidirecionamento e, então, atingir mano nasa. Quer você faça isso suportando as picadas de mosquito ou espantando-os, só depende de você. Se estiver completamente absorto na meditação, não perceberá que os mosquitos o estão picando. Enquanto você não atinge tal estado, por que não espantar os mosquitos?

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.7)

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Renúnicia

Devoto: Nas fases iniciais (do caminho espiritual) não será de auxílio para o homem buscar a solidão e abandonar seus deveres na vida?

Bhagavan: A renúncia está sempre na mente, não em ir para as florestas ou lugares solitários ou abandonar os próprios deveres. A meta principal é fazer com que a mente não se volte para o exterior, e sim para o interior. Na verdade, não depende do homem se ele vai para este ou aquele lugar ou se ele abandona seus deveres ou não. Tudo isso acontece de acordo com o destino. Todas as atividades que o corpo tenha que desempenhar são determinadas quando ele vem a essa existência. Não depende de você aceitá-las ou rejeitá-las. A única liberdade que se tem é a de voltar sua mente para o interior e renunciar às atividades.

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1, A. Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.16)

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Viver sem ego

Um devoto perguntou a Ramana: “O que acontece quando o ego fenece como uma vela que se apaga?” A resposta de Ramana foi bastante tranqüilizadora: “É apenas então que a porta da Bem-aventurança sem limites se abre”.

É necessário o máximo de coragem para dar o mergulho.

E por que este medo tão profundamente arraigado?

Para aquele que transcendeu o ego não há compulsão de desejo, ambições a serem cumpridas e nem metas a serem alcançadas. Entretanto, age com um entusiasmo que é ao mesmo tempo exemplar e contagiante. Mas tal ação é sem esforço, já que nele o sentimento de ser o fazedor da ação foi totalmente eliminado. Suas ações são ações de Deus. Por isso, assim Ramana orou a Arunachala:

“Ordenai que meu fardo seja vosso e não mais meu, para que seja uma tarefa do Senhor, o Grande Mantenedor!”

O ego é um obstáculo à Autoinvestigação e, por isto, deve ser “desenraizado”. Este o motivo pelo qual Bhagavan dizia que a Autorrealização não é algo novo a ser obtido mas um estado já existente — a ser revelado. Ele o comparava a um céu nublado — o céu claro não tem de ser criado, basta apenas que as nuvens que o encobrem sejam afastadas.

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.33)

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Intuição e intelecto

Devoto: É somente pelo desenvolvimento do intelecto que a intuição pode ser obtida? Na verdade, a perfeição do intelecto é a intuição, não é assim?

Bhagavan: Como pode ser isso? O mergulho do intelecto na fonte de onde surgiu dá lugar à intuição, como você diz. O intelecto somente é usado para ver as coisas externas, o mundo exterior. A perfeição do intelecto conduz apenas à boa visão do mundo exterior. Mas o intelecto não é usado para se ver o interior, para voltar-se para o SER. Para isso, ele terá de ser extinto ou morto ou, em outras palavras, ele deve mergulhar na Fonte de onde despertou.

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)

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Não são os olhos que veem

Devoto: Fechar os olhos durante a meditação é eficiente?

Bhagavan afirmou: “Os olhos podem estar fechados ou abertos, como acharmos melhor. Não são os olhos que veem. Há Um que vê através dos olhos. Se nós nos voltarmos para o interior e não olharmos através dos olhos, estes podem estar abertos e, ainda assim, nada será visto. Se conservarmos os olhos fechados, não nos importará se as janelas deste quarto estiverem abertas ou fechadas.”

(Do livro Dia a Dia com Bhagavan, Vol.1 A., Devajara Mudaliar, traduzido pelo Grupo Arunachala, p.6)

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Dia-a-dia com o Mestre

Aprendizado na cozinha

Bhagavan costumava ajudar a amassar lentilhas, descascar legumes e até mesmo a cozinhar. Ele se levantava muito antes do amanhecer para juntar-se a nós, na cozinha. Nós, as senhoras, costumávamos chegar ao amanhecer e Bhagavan cuidava para que tudo estivesse preparado à nossa chegada e, muitas vezes encontrávamos uma parte do nosso trabalho já feita. Para nos anteciparmos a Ele, começamos a chegar às cinco horas — Ele começou a chegar às quatro. Passamos a chegar às três — mas quando Ele viu que ficávamos sem dormir, deixou de entrar na cozinha antes do amanhecer e assim nos permitia dormir um pouco mais. Um dia, eu O vi amassando gram preto. Sempre ficávamos envergonhadas quando O víamos trabalhar, mas quando nos oferecíamos para assumir a tarefa, Ele ficava contrariado. Aquele dia, tive a coragem de pedir-Lhe que me deixasse amassar o gram e, para minha surpresa, Ele concordou: “Sim, termine-o. Estava esperando por você.” Quando terminei de moer, vi-O fervendo abóbora com curry num grande caldeirão. Era perto do alvorecer, o dia estava quente, o fogo estava quente e o vapor que saía do caldeirão era muito quente. Bhagavan estava banhado em suor. Então, percebi que foi para poupar-me desse trabalho cansativo que Ele me permitiu moer o gram. Como lamentei ter oferecido minha ajuda! A massa estava fervendo e uma porção de abóbora caiu no dedo de Bhagavan. No dia seguinte vimos uma grande bolha e, quando alguém perguntou, Ele respondeu: “Oh!, é apenas um anel. Eu quis ter alguma joia.”

Assim, aprendi a não mais interferir.

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.60)

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Ação sem apego

Certa vez o senhor Rangachari fez perguntas a Bhagavan sobre a ação sem apego ao resultado. Não houve resposta. Logo depois Sri Bhagavan dirigiu-se para o Monte Arunachala e alguns O acompanharam, inclusive o perguntador. Encontraram uma vara cheia de espinhos no caminho e Bhagavan a apanhou, sentou-se à beira da estrada e começou a trabalhar nela lentamente. Os espinhos foram cortados, os nós foram aplainados e toda a vara foi polida com uma folha áspera. A operação durou 6 horas. Todos estavam admirados com a bela aparência da bengala obtida de material tão rústico. Quando o grupo ia retomar a caminhada, apareceu um garoto pastor que havia perdido sua bengala e estava desolado. Sri Bhagavan imediatamente deu-lhe a bengala que acabara de fazer e continuou a jornada. O senhor Rangachari havia tido a sua resposta!

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.79)

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Como uma mãe para seus devotos

Bhagavan era todo o tempo rodeado pelos devotos, mesmo à noite. Ao redor do seu sofá, pessoas e até cães dormiam...

Ninguém sabia se Bhagavan dormia mesmo! As duas ou três da manhã Ele estava sentado no sofá. Bhagavan jamais perturbava o sono de ninguém. Mas se alguém tentava voltar a dormir depois de ter acordado, Ele dizia que não prolongasse o sono, entregando-se aos sonhos. Com Sua bengala, cutucava-os suavemente a fim de sinalizar que levantassem. Bhagavan era realmente uma mãe para Seus devotos.

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.7 e 8)

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A persistência de um esquilo

Você nem imagina quanta liberdade nosso irmão esquilo tem com Bhagavan! Dois ou três anos atrás, entre os esquilos, havia um muito ativo e travesso. Um dia aconteceu que quando ele veio buscar comida, Bhagavan estava lendo e, portanto, ocupado e por isso demorou um pouco a dar comida para ele. Esse indivíduo travesso não comia nada a menos que o próprio Bhagavan colocasse na sua boca. Talvez por causa de sua irritação pela demora, ele abruptamente mordeu o dedo de Bhagavan, mas Bhagavan ainda lhe ofereceu mais. Bhagavan achou graça e disse: “Você é uma criatura malcomportada! Você mordeu meu dedo! Não vou lhe dar mais comida. Vá embora!” Assim dizendo, parou de alimentar o esquilo por alguns dias.

E aquele indivíduo ficaria quieto? Não, ele começou a pedir perdão a Bhagavan rastejando para lá e para cá. Bhagavan colocou os amendoins no peitoril da janela e no sofá e disse-lhe que se servisse. Mas não, ele nem mesmo os tocaria. Bhagavan fingiu ficar indiferente e não ter notado. Mas ele trepou pelas pernas de Bhagavan, pulou no seu colo, trepou até seus ombros e fez muitas coisas para chamar atenção. Então Bhagavan disse a todos nós: “Olhem, este indivíduo está me pedindo que perdoe sua travessura de morder meu dedo e desista de minha recusa em alimentá-lo com minhas próprias mãos.” Alguns dias se passaram e Bhagavan finalmente teve que admitir sua derrota por causa de sua infinita misericórdia por seus devotos. Ocorreu-me então que é assim que os devotos alcançam a salvação, através da persistência.

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.17)

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Nenhum desperdício

Recentemente Bhagavan escreveu alguns versos. Ele os estava escrevendo em pedaços de papel áspero que absorvia tinta; como eu sentia pena de que as divinas letras que pareciam um colar de pérolas tivessem que ser escritas em pedaços de papel áspero, disse-lhe: “Seria melhor se fossem escritos num caderno.” “Está tudo bem”, respondeu Bhagavan, “se eu escrever num caderno alguém reconheceria minha letra e o levaria embora. Assim não há esse temor. O Swami é propriedade comum de todos.” E recusou-se aceitar minha sugestão....

Era por volta das nove horas da manhã. Depois de ter sido recebida a correspondência, Bhagavan começou a ler o jornal. Encontrou nele um espaço em branco de umas quatro polegadas. Começou a cortá-lo e dobrá-lo. Estava sorrindo para mim, mas eu não conseguia entender por quê. Depois de destacar o pedaço, dobrou-o cuidadosamente e, colocando-o na estante, disse: “Olhe eu vou usar este papel para meus escritos.” Eu repliquei: “Então isso é para nos dar uma lição. Bhagavan está sempre nos dando lições, mas nós não as aprendemos.” Bhagavan sorriu e ficou calado.

(Do Livro Cartas do Sri Ramanasraman, Vol. 1, Suri Nagama, traduzido por José Stefanino Vega, p.98)

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O inabalável Ramana

“Em Tiruvanamalai o verão dura dez meses” era o ditado favorito dos devotos do Ashram. Durante maio-junho o sol estava com toda força; a terra queima, por assim dizer. Bhagavan jamais usou calçado após sua chegada a Tiruvanamalai. Depois do almoço, todos os dias, caminhava até Palakothu entre meio-dia e meio-dia e meia. O caminho árido, arenoso, tornaria impossível caminhar descalço, todavia, Bhagavan nunca mudava o passo do Seu Caminhar, quer chovesse muito ou queimasse o sol. Ele caminhava devagar, mas dizia ao atendente que O seguia: “Corra, corra e refugie-se sob aquela árvore. Coloque sua roupa de cima sob seus pés e fique um tempo sobre elas.” Insistia para que o assistente assim o fizesse, enquanto Ele próprio seguia adiante, vagarosamente!

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.7)

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Nunca falar mal de terceiros

Bhagavan nunca gostou que as pessoas falassem mal de terceiros e tomava a defesa da parte acusada. Uma ocasião, uma senhora devota rica adotou um garoto abandonado, mas após algum tempo ele desapareceu com algumas de suas joias. Quando ela fez queixa a Bhagavan, ele disse: “Suas joias a fizeram perder seu garoto.”

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.21)

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Vida simples

Uma vez, vindo de Bombaim, eu trouxe alguns papéis caros para Bhagavan. Um devoto me perguntou por que havia trazido uma coisa tão cara. Eu disse: “Achei que precisavam de papel. Podia trazer um baratinho? Bhagavan interveio e disse: “Mas por que trazer algo afinal: eu já tenho tudo de que necessito!” Senti-me muito desanimado e comecei a pensar que o que Bhagavan realmente necessitava era uma linda caixa de prata para os amendoins que Ele reservava para seus amigos pássaros e esquilos. A pequena lata que ele tinha estava velha e feia. Mal o pensamento cruzara a minha mente alguém trouxe uma caixa de prata que era exatamente igual à que eu tinha em mente e ofereceu-a a Bhagavan. Bhagavan nem mesmo a tocou. “O Que” Ele exclamou, “Uma caixa de prata para mim. Não. Por favor leve-a de volta. Olhe para isso: Uma caixa de prata para mim! O que farei eu com uma caixa de prata?” Enquanto dizia isso tudo Ele olhava para mim como que dizendo “O mesmo teria acontecido a você e sua caixa de prata!” Bhagavan vivia uma vida simples e desaprovava o luxo e a pompa. Uma boa lição para todos nós.

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.42)

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Unidade

Disseram a uma devota que o Maharshi sabia tudo o que se passava na mente das pessoas à Sua volta, mas ela não acreditou, de pronto, em tal assertiva.

Entretanto, certa tarde em que ela estava sentada no canto mais distante do salão, lendo a tradução de uma série de aforismos escritos —em sua opinião— numa linguagem floreada e artificial e começou a sentir-se entediada e um pouco irritada, quando, de repente, um dos devotos chegou até ela com um outro livro nas mãos e disse: “O Maharshi mandou-me entregar-lhe este livro. Ele acha que será mais apropriado para o seu tipo de mente”. E era. Como podia o Maharshi saber o que ela estava lendo? Ela estava sentada distante Dele, com várias pessoas entre eles, bloqueando Sua linha de visão, e todos os livros do Ashram eram encapados com papel pardo, e pareciam exatamente iguais.

A partir de então, mais atenta, ela começou a reparar que muitas vezes Ele respondia a uma pergunta que apenas começava a ser formulada em sua mente. Percebeu então que sendo UM com todos, Ele realmente conhecia-os, conhecia seu interior, melhor do que eles próprios!

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.76)

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Cuidado

Certa vez, um senhor alemão veio morar próximo ao Ashram, na vizinha Palakothu. Ele gostava de encontrar Bhagavan durante Sua caminhada à tarde. Um dia, o carteiro estava batendo na porta da cabana deste alemão durante longo tempo, fazendo barulho suficiente para incomodar a todos nós, que morávamos nas cabanas vizinhas. Juntamo-nos ao carteiro batendo na porta até que Bhagavan se aproximou e perguntou por que estávamos todos à porta da cabana do alemão. Dissemos-lhe que havia um telegrama para o alemão, mas que não estávamos conseguindo fazer com que ele escutasse. Bhagavan riu e disse: “Eu sou o culpado! Certa vez ele se queixou de que o barulho perto de sua cabana o perturbava e impedia que conseguisse fazer meditação longa e profunda. Peguei um pouco de cera de abelhas, misturei com algodão e fiz tampões para seus ouvidos. São completamente à prova de som”.

Como estivesse na hora em que usualmente se encontrava com Bhagavan, o alemão, após remover os tampões dos ouvidos, abriu a porta da cabana. Ficou surpreso ao ver tantas pessoas à sua porta junto com Bhagavan.

E nós aprendemos a lição —desde então fizemos, também para nós, tais tampões de cera de abelhas, a fim de colhermos os benefícios de uma meditação não perturbada!

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.90)

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Cozinheiro espiritual de almas

Sri Bhagavan costumava ir à cozinha às 4 horas da manhã e começava a descascar e cortar legumes. Um ou dois de nós o ajudávamos. Às vezes, a quantidade de legumes nos assustava. Bhagavan sempre dava um jeito de cortar muito mais e mais rápido que nós.

Nessas ocasiões, na nossa impaciência para terminar a tarefa e tentar tirar mais um soninho, olhávamos constantemente o relógio. Bhagavan sentia nossa impaciência e dizia: “Por que olham para o relógio?” Nós tentávamos enganar Bhagavan dizendo: “Se pudéssemos terminar o trabalho às 5 horas, poderíamos meditar por uma hora”. Bhagavan replicava suavemente: “O trabalho deve ser feito atentamente. Outros pensamentos são o obstáculo, não a quantidade de trabalho. Fazer o trabalho designado é, em si mesmo, meditação. Vão em frente e executem a tarefa com plena atenção.”

Bhagavan ensinava-nos, assim, a importância do trabalho feito com correção e atenção. Bhagavan não nos ensinava apenas o Caminho da Vichara, ensinava-nos também como viver. Nós procurávamos observar todas as Suas ações e aprender com elas, de muitas maneiras. Ele nos ensinou como poderíamos viver felizes em qualquer lugar do mundo. Considero-o também um cozinheiro espiritual de almas, pois assava nossos egos e os servia a Arunachala.

(Do livro Ramana Amor Supremo, compilado por Vera Carolina, p.91)

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Ação sem apego

Certa ocasião, perguntei a Sri Bhagavan o método correto para Atma-Vichara (Autoinvestigação) e Ele respondeu: “A todo o momento e sob quaisquer circunstâncias devemos constantemente lembrar nossa natureza (EU SOU). Recordando isso enquanto realizamos nossas obrigações no mundo, devemos fazê-lo sem o menor apego às ações realizadas, ou aos seus resultados. Quando esta atitude é fortalecida o aspirante sente certeza de que está fazendo progresso em sua shadana (prática). Esta deve ser praticada por todos.”

Por exemplo, Bhagavan era Ele próprio muito ativo e fazia todo tipo de trabalhos. Ele emendava folhas, fazia kamandalams, dava acabamento a cajados, ajudava na cozinha, moendo, preparando massas, cortando legumes, e até cozinhando. Ele agia como parteira para cadelas e macacas. E fazia tudo isso perfeitamente e sem o mínimo apego. A prova de que a pessoa está realizando os atos sem apego é que sente que é o Senhor que a está usando para que as coisas sejam feitas e muito bem feitas. Todo seu SER diz: O Supremo fez estas coisas através de mim. Tal humildade é a marca da maturidade espiritual.

(Do livro Reminiscência de Bhagavan Ramana, p.9 e 10)

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