Fitar e Ser

Estava eu olhando o Teu olhar, quando o mundo me parou. Chamou-me para seu próprio movimento, que sempre foge ao retilíneo e segue curvo, criando brumas e brumas de ilusão.

O mundo me tirou do Teu olhar por me temer ali, pois quando Te olho, sou livre como Tuas pupilas, que podem ir a todos os lugares, embora prefiram sempre me fitar.

O mundo teme quando Te olho, porque todo chamado se torna sem sentido e tudo que se teme ser obrigação se transforma em uma dança do etéreo sobre os escombros dos compromissos vencidos.

Há Teu olhar por toda parte.

Há Teu olhar por toda vida.

Há um acordo calado e vibrante que sempre fala mais alto, como álibi de uma Verdade Maior que supera todos os descompassos.

O mundo cansará de querer quedar quem se ergueu em Teu olhar. Já não pretenderá cerrar os meus olhos – reflexos dos Teus – diante da dor e da fome de meu irmão.

O mundo vai desistir, oh olho de Shiva, quando perceber que segue o caminho e o caminheiro, pensando menos em facilitar a própria vida e sim pensando em expandi-la pela Tua Graça.

O mundo desistirá. Mais do que isso. Também se quedará diante da força de nosso amor, fundindo-se na PAZ da qual surgiu o Teu olhar!