O Arco de Krishna

ANANDA MUKTA voltara naquela manhã para sua vila natal. Estivera muito tempo mergulhado em si mesmo. Outros renunciantes o haviam acompanhado no profundo recolhimento da floresta.

Havia um motivo para o retorno deles. Espalhara-se a notícia de que o Arco usado por Krishna, no Bhagavad Gita, encontrava-se próximo ao Templo da deusa Parvati. Ocorreu, então, grande alvoroço na localidade. Quão cheio de Bem-Aventurança seria o maravilhoso Arco?

Todos saíram à procura da preciosa relíquia, menos o pequeno irmão de Ananda Mukta.

- Afinal, jovem irmão! Por que não vens também? Por acaso não tens profundo amor pelo nosso Deus?

- Sábio irmão, disso não duvides! Há em mim mais amor do que no Universo.

- Então vem buscar conosco o Seu Arco!

O rosto de Gopala iluminou-se:

- Como comparar o Arco ao Alvo? Se me tivessem dito: ”Lá está Krishna”, eu já teria chegado, antes da aurora. Todavia, como poderia o Amante do amor estar em outro lugar, se aqui em meu peito, Ele entoa a Sagrada Melodia de Acalanto para os aflitos ouvidos da mente! Não, meu irmão, não buscarei o Arco! A flecha eu sou! Canto aqui o júbilo de nada mais buscar.

Ananda Mukta olhou à sua volta e percebeu que todo o rebanho do vilarejo aninhara suas cabeças aos pés do pequeno Gopala. E também ele curvou-se dizendo: “Bem–Aventurado sou por descobrir aqui mesmo o que pretendia buscar na floresta. Há PAZ, enfim!”

Hari Ramana