O Jardineiro do Rei

Ele era um homem muito cuidadoso. E por seu zelo e dedicação fora indicado como “jardineiro do Rei”.

Tratar das plantas e manter todo o jardim sempre bonito e viçoso era a sua tarefa. Isto, sem dúvida, ultrapassava as obrigações que tinha. Tanto tempo e cuidado faziam parte de seu grande amor pelo ofício. Seu carinho transparecia na própria lida com as flores, galhos, frutos e sementes. Fazia-o não para o rei, mas para si mesmo. Nada importava mais do que o esmero no trabalho. Nada ficava esquecido ou mal feito.

Porém, um dia, talvez calcado na experiência de longo tempo, esqueceu-se de regar o ‘seu jardim’. Deitou-se e, no dia seguinte, raiando a aurora, o jardineiro vai ao seu campo e percebe que a majestosa noite, por caridade e dádiva, fizera o serviço, cobrindo por completo o jardim com o seu orvalho. Belo espetáculo contemplaram os seus olhos.

Levando, assim, em conta o auxílio, o pequeno homem começa a deixar à mercê da natureza a tarefa que é sua. Os dias passam, as noites surgem, ressurgem as manhãs e aos poucos o que era tão belo vai ganhando um tom amarelento e pouco forte.

Quando o jardineiro percebe o feito, o tempo já se tornou irredutível. O seu exemplo de dedicação e vida se perdera na poeira do descuido. O vento sopra e, sentado à beira do caminho, o olhar triste do homem vê voarem as folhas secas e o pó.

Assim conta a história!

E nós? Quantas vezes deixamos repousar nos braços da divindade o que é nossa tarefa? Por que se nos apresenta a dúvida do que é ação de Deus em nós e o que é interferência do ego?

Cuidemos para que nossa atenção esteja sempre à frente, e que nosso ânimo não descanse no orvalho da vida. Que façamos até chover, se for preciso, mas que seja nosso o trabalho de evaporar a água, condensá-la e fazê-la cair na terra sob a forma de abençoada chuva.

Deus, em nós, torna-nos seus jardineiros a cada instante. Não desperdicemos esta oportunidade.

Namastê