Para quem não sabe ser Feliz

Aquele era certamente o lugar ideal para fazer o silêncio em sua alma e retornar ao mais profundo de seu Ser. Todavia, como parecia difícil!

Contemplou mais um pouco a paz em seu redor. Lembrou-se da última vez em que estivera aos pés do Santo Sábio. Fora em um dia comum, no qual o cheiro de manteiga derretida em oferenda ao lingam invadira todo o saguão.

Ele era apenas mais um entre a gente de toda parte. Ao mesmo tempo era único, tamanho o impacto que o Mestre provocava em seu ego, precipitando-o para o nada.

A sua chegada fora tão estranha quanto a viagem. Ele, um homem cheio de ambições tanto materiais quanto espirituais, jamais confessava seu mundo de desejos. Dizia necessitar apenas do indispensável para a sobrevivência, mas eram inúmeras as indispensáveis necessidades. Seus pensamentos multiplicavam as carências e ele ainda não sabia ser feliz. Porque será que naquele dia tudo parecia diferente?

Primeiro, ele saltou do trem muito antes das proximidades do ashram e seguiu andando. Viu primeiro uma rocha e pensou: “Uma rocha é indispensável ao crescimento de um homem, não para se fazer duro e resistente como a rocha é. Uma rocha no caminho é preciso para descansar da caminhada. Simplesmente isso.”

Dois ou três quilômetros depois ele avistou uma árvore frondosa e pensou que todo homem precisa de uma árvore para aprender a se tornar mais generoso e amplo com o passar do tempo, lançando sua raiz para mais profundo e sua copa para o mais alto.

Quando ele avistou o córrego, não pensou em beber apenas ou se banhar. Tocou-lhe profundamente a capacidade do córrego de se adaptar ao fluxo da natureza e suas variações. Uma rocha, uma árvore e um córrego. A ausência dos elementos que formam os três tornaria a vida impossível na terra. Se era assim, porque a presença deles parecia tão pouco para ele?

Quando sua surpresa cresceu diante de seus próprios pensamentos, surgiu diante de seus olhos o contorno do monte Arunachala e a morada de Ramana. Percebeu que era aquela presença que transformava as supérfluas necessidades em pó.

Tudo recomeçava e havia nele nova semente e a vontade de não mais adiar com falsas necessidades o momento de viver feliz.

E você ?