Vou ficar um pouco mais aqui

Vou ficar um pouco mais aqui, Senhor, onde o Monte se inclina suavemente em direção ao Sol, deixando ver o Ashram e o Templo.

Permanecerei aqui, recolhendo de meu peito tudo de que digo necessitar e tudo que necessito viver.

Vou ficar um pouco mais aqui, Mestre, e deixe que digam o que quiserem: permanecerei simples, sincero nas limitações que vejo, e verdadeiro em meus sentimentos.

Vou ficar um pouco mais aqui, tecendo a história da nossa união. Eu conto tantas histórias para o mundo, falo tanto dos amores que não deram certo, e não falo da nossa história de amor, cheia de encantamento e solidez.

Vou ficar um pouco mais, para me aconchegar nesse abraço que sempre entende quando choro. O abraço de pai, mãe, filho ou irmão que não veio.

Vou ficar um pouco mais aqui, Senhor, até que a noite cubra Arunachala de outras luzes. Permanecerei para perder – na noite – o medo das trevas da alma, da legião de fantasmas do ontem que carrego em um melancólico cortejo, reconstruindo, toda hora, a mesma dor.

Vou ficar aqui. Por mais que meus pés brinquem de muitos caminhos, vou ficar aqui, abraçado com meu silêncio que busca o Teu.

Permanecerei onde ninguém pode me assustar, permanecerei! Porque, por mais que eu chore amanhã, me debata, adoeça, aflija-me ou me culpe, nunca mais, nunca mais conseguirei me convencer de que sou infeliz!