Vedanta e Advaita

Vedanta

Foi no período do domínio da raça ariana na Índia que surgiram os mais antigos livros de natureza espiritual que se conhece: Os Vedas – (A palavra Veda vem do sânscrito VID que significa Sabedoria). Não se sabe a data em que foram escritos, nem por quem. Sabe-se apenas que teriam sido mestres espirituais denominados RISHIS. Os Rishis teriam percebido grandes verdades espirituais através da intuição: trata-se, portanto, de uma Verdade Revelada, ou seja, sua origem seria não humana.

Posteriormente outros Mestres ampliaram o conhecimento Védico dando origem aos Upanishads, cujos ensinamentos fazem parte do que se conhece como VEDANTA, ou a parte final dos Vedas. O Vedanta é uma das Escolas ou Sistemas Filosóficos da Índia; é também chamada “UTTARA MIMANSA”, que significa Investigação ou Estudo Posterior.

No Vedanta, o Mestre leva o estudante a reconhecer a Verdade sobre si mesmo. O meio para o Autoconhecimento na forma de palavras é Vedanta. As palavras adequadas têm que ser usadas por alguém que possui a visão clara do Ser, e que sabe usar o meio de Conhecimento de forma que ele funcione. A pessoa que anseia por este Autoconhecimento, sendo abençoada por um Mestre adequado, perceberá a si mesma, passo a passo, cada vez mais claramente, como o Ser. Isto é Realização, Libertação, uma Bênção.

O Vedanta sustenta que não existe senão UMA Realidade, e que tudo o mais é ilusório. No Vedanta, o Ser é descrito como Sat-Chit-Ananda (Existência – Consciência – Bem-Aventurança).

Para o Vedanta, o mundo não é um mundo de pecados, como acha o cristão, nem um mundo de sofrimentos como acha o budista, mas um mundo de enganos. “Descobre o engano e serás livre”. A finalidade de todo conhecimento é atingir a Realização Espiritual. A essência de seu pensamento pode ser resumida em poucas proposições:

  • EU SOU BRAHMAN (Deus Impessoal - O Absoluto Ser) – isto é, Brahman existe, é a Existência Suprema, a Essência – tudo Dele procede ou emana e tudo para Ele volta.

  • TU ÉS BRAHMAN – TAT TWAN ASI – Tu És Aquilo – Famosa frase dos Upanishads em que o Mestre, após ter descrito este Ser Absoluto, diz a seu discípulo: “Não somente os seres do Universo, mas tu também és Brahman.”

  • ATMAN É BRAHMAN – A experiência libertadora consistiria precisamente em reconhecer a transcendência desse Atma, desse “EU”. A dor do Sábio cessa a partir do momento em que ele conhece o Atma. “Conhecer Deus é ser Deus”.

  • O CONHECIMENTO É BRAHMAN – Libertação da ignorância e da ilusão (Maya), que exige ascese dos sentidos e disciplina da mente, que nos conduzirá à supressão do ego.

Para o Vedantista, Maya é o aspecto externo que reveste Brahman – a teia de ilusões que nos envolve. No compreender Maya e no escapar de seus enredos está o caminho da Libertação.

Maya nos faz crer que somos separados de Deus. Entretanto, a verdadeira natureza do homem não é seu corpo físico, nem mesmo os demais corpos. A verdadeira natureza do homem é o Divino em seu interior.

O Vedanta não postula a não realidade do mundo fenomênico, mas afirma, isto sim, ser ilusório nosso conhecimento desse mundo: “O Universo, em si mesmo, é Real. Ilusória é nossa percepção das coisas do Universo”.

Dizem alguns autores que o Vedanta não é, em verdade, um sistema filosófico, mas uma tradição de ensinamento transmitido de Mestre a discípulo, num fluxo perene, desde tempos imemoriais.

O Advaita - Interpretação do Vedanta

Ou Adwaita (Adweita) = Não dualidade. Representa o mais elevado grau a que chegou o pensamento espiritual da Índia. Professa o Monismo, ou seja, a não dualidade e prega – não que o mundo seja ilusório, mas que é ilusória nossa percepção do mundo. Considera, Deus, o Universo e o homem como uma unidade. O Advaita nos diz: “Se vivermos em Deus, a ilusão do mundo desaparece; se vivermos para o mundo, suprimimos Deus”. Para o Advaitas, tanto o samsara (roda das encarnações sucessivas) quanto o Karma (manifestação através do destino) são apenas uma parte da ilusão universal, e ambos desaparecem quando a alma se apercebe de que não é uma entidade individual, mas sim uma aparência de Brahman. “Enquanto o adormecido não desperta, o mundo da experiência é o único real para a alma, e suas leis e regras persistem intactas e plenamente operativas.”

Quando o homem se apercebe, realmente, UM com o Absoluto, quando toda a separação cessa, ele começa a se questionar: “Posso magoar-me? A quem ou o que posso temer? De quem ter ciúmes?” E então todos os maus sentimentos desaparecem, pois contra quem os teria? Contra mim mesmo? E chega à conclusão que o sentido de posse é uma ilusão.

Os ensinamentos de Ramana Maharshi são orientados para o Vedanta Advaita. E é Ramana quem nos diz: “Na realidade, o homem nunca deixou de ser o EU ou o SER Divino; apenas acha-se iludido pelo seu ego, que lhe empresta uma falsa noção de ser o corpo, as emoções e a mente. Quanto maior o esforço para renunciar a esta falsa percepção, mais rapidamente o homem alcançará a Libertação.”

Mas, fala-se muito em Libertação, em realização. E o que seria? Realizar-se é viver no Real, é conhecer-se em profundidade, através da análise constante de pensamentos, palavras e ações. É conseguir “amar a todos por igual”; é enxergar seu irmão como parte de si mesmo.

A ignorância é um obstáculo para o Conhecimento, porque é um recusar-se a ver, é uma retirada do foco de luz, é um virar o rosto para a Realidade da Existência. VER é contemplar, é desvelar, retirar o véu que encobre as coisas.

Para o Advaita, o intelecto não tem luz própria para conhecer. O intelecto conhece o mundo porque recebe a Luz da Consciência (Chit). A Consciência a tudo ilumina. O SER Real, o Atma, está além da dualidade.

Devemos, através da meditação e do cultivo da tranquilidade, preparar nossa mente para o Conhecimento, para a descoberta de que EU SOU PAZ; EU SOU SILÊNCIO!

(Livros consultados: Vedanta e Yoga – Coletânea de textos do Centro de Estudos Vidya Mandir; Hinduismo e Yoga – D. S. Darma; O olho do Furacão – Murilo Nunes de Azevedo)