Bhagavan Sri Ramana Maharshi
Biografia
Venkataraman nasceu em Tiruchuzi, pequena aldeia no Sul da Índia, em 30 de dezembro de 1879, e sua infância foi igual a de todos os meninos de sua época. Entretanto, duas experiências ocorridas na sua adolescência mostram que ele era diferente. A primeira delas aconteceu em 1895, quando abordou um tio que acabara de voltar de uma peregrinação com a pergunta: “De onde está vindo?” “De Arunachala”, foi a resposta. A simples frase encontrou profundo eco no coração do jovem indiano, como se a palavra “Arunachala” lhe despertasse alguma sutil recordação.
A segunda experiência foi vivenciada na tenra idade de 17 anos, transformando a vida de Venkataraman e o despertando para o verdadeiro significado do Ser. Certa tarde em que estava sozinho em casa, sentiu que iria morrer. Deitou-se com os membros distendidos e o corpo inerte, susteve a respiração e manteve a mente em completa introspecção. Ele sentiu toda a força de sua personalidade e ouviu a voz do Ser dentro de si, totalmente apartada do corpo:
“O corpo morre, mas o espírito que o transcende é imune à morte. Isso quer dizer que sou um Espírito Imortal.”
Deste dia em diante sua absorção no Ser foi permanente. Pouco tempo depois, deixou a casa do tio e partiu para Tiruvannamalai, em direção ao Monte Arunachala, local onde o Deus Shiva apareceu a seus devotos sob a forma de um facho de luz. Durante os anos seguintes, a vida de Bhagavan Sri Ramana Maharshi, como ficou conhecido, foi um exemplo de suprema paz, compaixão e autoconsciência. Ele ensinava o caminho do autoconhecimento e autorrenúncia através da Vichara, a pergunta “Quem sou eu?”
No dia 14 de dezembro de 1950, Bhagavan deixou o corpo. Entretanto, muitos devotos, distribuídos por todos os rincões do planeta, crêem firmemente nas palavras proferidas pelo sábio quando este foi inquirido sobre sua partida. “Para onde mais poderia eu ir?”.
Linha do Tempo
A profunda devoção do Dr. Ajay Kumar pelo Maharshi é sentida na extensa cronologia que se segue, deixada por ele, detalhando relevantes acontecimentos da vida de Bhagavan.
1879
30 DE DEZEMBRO
Venkataraman nasce em Tiruchuli, no Dia de Arudra Darshan, ocasião em que Shiva apareceu a seus devotos como Nataraja. Foi também nesta data que uma infindável coluna de luz – o aspecto imanente e transcendental de Shiva – manifestou-se como o benevolente Monte Arunachala. A casa onde nasceu se chama agora Sri Sundara Mandiram.
1886
Bhagavan costuma brincar no Kalyana Mandapam, que fica ao lado do templo. Aos seis anos, é suavemente repreendido por fazer pipas e barcos de papel com velhos pacotes de processos. O menino leva a sério a reprimenda e desaparece, sendo a busca por ele infrutífera. No momento do culto à mãe Sri Sahayavalli, no sacrário, o sacerdote vê uma figura sentada silenciosamente atrás do ídolo. Era o menino Venkataraman.
1891
Muda-se para Dindigul, após concluir a educação elementar em Tiruchuli. Passa um ano na primeira classe em Dindigul.
1892
18 DE FEVEREIRO
Morre o pai, Sundaram Iyer. Muda-se para Madurai para viver com o tio paterno, Subba Iyer. Estuda na Escola Scott de ensino médio e na Escola Superior da Missão Americana.
1895
1º DE NOVEMBRO
Ouve falar de Arunachala por um parente mais velho. Mais ou menos nesta época, lê o Periapuranam.
1896
MEADOS DE JULHO
Vive experiência de morte em Madurai, que termina em completa e permanente realização do Ser. A casa é chamada atualmente de Ramana Mandiram.
29 DE AGOSTO
Deixa Madurai e segue em direção à Arunachala.
1º DE SETEMBRO
Chega em Arunachala e dirige-se para o santuário interior no grande templo de Sri Arunachaleswara e Mãe Sri Apeethakuchamba. Quando recomeça a caminhar, alguém o pergunta se quer que lhe raspe o cabelo e, com seu consentimento, é levado para o tanque Ayyankulam, onde seu cabelo é logo raspado. Atira no tanque o dinheiro que lhe resta.
Permanece no templo, no porão do Salão de Mil Pilastras em Pathala Lingam, no lado sudoeste, até ser retirado de lá, completamente inconsciente, e levado para o santuário de Subramanya. Seshadi Swami tenta protegê-lo. Bhagavan permanece dois meses no santuário Gopura Subramanya, atendido por Mouna Swami.
O jovem muda-se, então, para o contíguo jardim de flores e bosque de bananeiras e algumas vezes para o local onde eram guardados grandes carros. Costuma sentar-se sob a grande árvore Illupai ou no santuário Mangai Pillayar. Uddandi Nayinar torna-se seu atendente, mas volta a seu mosteiro em 1897. Visitou Bhagavan sete anos mais tarde uma ou duas vezes e morreu em 1916.
1897
FEVEREIRO
Muda-se para Gurumurtam, nos arredores da cidade, menos de um ano e meio após ter chegado a Tiruvannamalai. A pedido de Annamalai Tambiram, Palaniswami torna-se seu atendente, tendo permanecido como tal por 21 anos.
Após pouco mais de um ano em Gurumurtam, Brahmana Swami, como Venkataraman era chamado, muda-se para a vizinhança do Pomar de Mangueiras, em maio de 1898, permanecendo lá por cerca de seis meses.
MAIO
O tio Nelliapa Iyer visita Bhagavan no Pomar de Mangueiras. O tio Subba Iyer, com quem Bhagavan havia morado em Madurai, havia morrido neste intervalo de tempo. Bhagavan permanece um mês no templo de Arunagiri Nathar e uma semana em uma das torres do grande templo e no jardim Alari.
SETEMBRO
Muda-se para Pavalakkunru, um dos lados do Monte Arunachala, onde havia, no sopé, um templo de Iswara, uma nascente, uma caverna e um mosteiro.
DEZEMBRO
A mãe Alagammal visita Bhagavan em Pavalakkunru, com Nagaswami.
1899
FEVEREIRO
Muda-se para o Monte Arunachala. Permanece em várias cavernas do monte: Caverna Satguru Swami, Caverna Guhu Namashivaya e Caverna Virupaksha. Embora a maior parte do tempo na Caverna Virupaksha, onde permanece por 17 anos, usa a Caverna da Mangueira como residência de verão.
1900
Responde a perguntas feitas por Gambiram Seshayya, na Caverna Virupaksha. O resultado é, mais tarde, publicado como autoinvestigação.
1901
Responde a perguntas feitas por Sivaprakasam Pillai, material que é publicado em 1923.
1905
Muda-se para Pachiamman Koil por seis meses, durante a epidemia de peste. Volta para o Monte.
1907
18 DE NOVEMBRO
Kavyakantha Ganapati Muni, que já o havia visitado anteriormente duas vezes (em 1903 e 1904), visita Bhagavan. Este concede Upadesa (instrução espiritual) a Muni. Em uma carta escrita por Muni no dia seguinte, ele declara que o swami deveria ser chamado Bhagavan Sri Ramana Maharshi.
1908
JANEIRO A MARÇO
Permanece em Pachiamman Koil, com Ganapati e outros. Volta à Caverna Virupaksha. Traduz para o tamil a obra de Sankaracharya ‘Viveka Chudamani’ e ‘Drig Drisya Viveka’.
1911
NOVEMBRO
Primeira visita registrada de um ocidental, chamado F. H. Humphreys.
1912
Segunda experiência de morte na Rocha Tortoise, na presença de Vasudeva Sastri e outros. Primeira celebração de Seu aniversário (Jayanthi), apesar de seus protestos.
1914
Dedica uma prece a Arunachala para que sua mãe se recupere da doença que a acometera.
1915
Canção do Poppadum, escrita em homenagem a sua mãe. Escreveu os seguintes hinos durante o período na Caverna Virupaksha: Arunachala Aksharamana Malai, Arunachala Padikam, Arunachala Ashtakam, além da tradução de DevikaLottara, do Hino a Dakshinamurthi, de Sankaracharya, Guru Stuti e Hastamaloka Stotra.
1916
Muda-se para Skandashram.
1917
Compõe Arunachala Pancharatanam, em sânscrito. A mãe o acompanha a Skandashram (no começo de 1916, ela viera para ficar, a princípio, com Echammal). Bhagavan responde a perguntas feitas por Ganapati Muni (entre dezembro 1913 e agosto de 1917) e alguns outros devotos, que resulta no livro Sri Ramana Gita.
1922
19 DE MAIO
Maha Samadhi de sua mãe. Bhagavan manteve sua mão direita no coração dela e a esquerda na cabeça dela.
1923
3 DE JANEIRO
O aniversário de Bhagavan é celebrado, pela primeira vez, no santuário da mãe. Uma semana antes do aniversário, Sri Bhagavan foi visitar o santuário, como de costume, em seu passeio diário, e permaneceu lá.
1924
26 DE JUNHO
Ladrões entram no ashram. Bhagavan recebeu pancada em sua coxa esquerda.
1926
Para de caminhar em volta do Monte. O velho salão foi construído (teve de ser demolido em maio de 1986 e após seis meses de trabalho meticuloso, foi reaberto em 5 de dezembro de 1986). Os antigos devotos declararam que a decoração interna e a aparência externa pareciam “absolutamente a mesma”. Da velha estrutura, grandes porções das lajes (cerâmica) de Cuddapah, pavimentação, portas, janelas, treliças de madeira, caibros e azulejos foram reutilizados.
1927
Compõe Upadesa Saram (a essência da instrução espiritual), em tamil, telugu, malaiala e sânscrito.
24 DE ABRIL
Compõe Atma Vidya (autoconhecimento).
1928
Compõe Ulladu Narpadu (Quarenta Versos sobre a Realidade) em tamil e malayala.
1933
Traduz os Agamas (escrituras) para o tamil.
1936
Traduz Sri Ramana Gita para o malayala.
1939
1º DE SETEMBRO
Assentadas, por Bhagavan, as fundações do templo Mathrubhuteswara.
1940
Seleciona 42 versos do Bhagavad Gita e os traduz para o tamil e malayala.
5 DE OUTUBRO
Bhagavan deixa de comer folha de betel.
1941
Bhagavan deixa de ir à cozinha para ajudar.
1945
25 DE JANEIRO
Fundação do novo salão.
5 DE JUNHO
Pedra fundamental lançada em presença de Bhagavan.
1946
1º DE SETEMBRO
Jubileu de ouro celebrando a chegada de Bhagavan a Arunachala. Novo salão em frente à construção do templo de Sri Mathrubhuteswara.
1947
Compõe “Ekatama Panchakam” (Cinco versos sobre o Ser) em telego e malayala.
1948
18 DE JUNHO
A vaca Lakshmi obtém o Nirvana. Traduz para o tamil Atma Bodha de Sankaracharya.
1949
MARÇO
Consagração do templo Mathrubhuteswara na presença de Bhagavan. A breve cerimônia tem início às 9h, quando o Maharshi é conduzido a abrir o novo grande salão, anexo ao templo. Estando muito enfraquecido para virar a colossal chave da porta, o jovem Stapati o faz por ele. Bhagavan é conduzido diretamente ao interior do templo e, subindo o pequeno lance de escada, fazem-no tocar a pedra Sri Chakra, que fica imediatamente atrás do Lingam, como símbolo do poder criador latente no espírito sem forma (Chit). Ele, então, é levado para fora a sentar, pela primeira vez, no sofá de pedra do novo salão do templo, que estava coberto de almofadas de veludo vermelho.
1º DE JUNHO
O novo salão, anexo ao templo da mãe, é declarado aberto.
1950
14 DE ABRIL
Brahma Nirvana de Bhagavan às 20h47. Neste exato momento, uma estrela cadente intensamente luminosa, vinda do Sul (o atual quarto do Nirvana), atravessa o céu vagarosamente e desaparece no cume de Arunachala, tendo sido observada por muitas pessoas em diversas partes da Índia.


